Você já ouviu falar em betaína? Provavelmente não. Mas seu corpo conhece muito bem esse composto — e depende dele todos os dias para realizar milhares de reações químicas essenciais. Também conhecida como TMG (trimetilglicina), a betaína é uma das moléculas mais subestimadas quando o assunto é saúde cardiovascular, função hepática e até performance cognitiva.
Aqui está o que poucos te contam: enquanto a maioria das pessoas se preocupa com colesterol e triglicerídeos, existe um marcador silencioso que pode estar elevado no seu sangue neste exato momento — a homocisteína. E a betaína é uma das ferramentas mais eficazes que seu corpo tem para mantê-la sob controle.
O que é betaína e por que ela importa
A betaína é um composto natural encontrado em alimentos como beterraba, espinafre, quinoa e frutos do mar. Seu nome vem justamente da beterraba (Beta vulgaris), de onde foi isolada pela primeira vez no século XIX.
Mas o que ela faz de tão especial? A betaína atua como um doador de grupos metil — pequenas moléculas que seu corpo usa para “ligar” e “desligar” genes, produzir neurotransmissores, desintoxicar substâncias e reparar DNA. Esse processo se chama metilação, e é tão fundamental quanto respirar.
Pense na metilação como um maestro regendo uma orquestra celular. Quando ela funciona bem, tudo flui: seu humor se mantém estável, sua energia é consistente, seu fígado desintoxica eficientemente. Quando falha, o caos se instala — e um dos primeiros sinais é o acúmulo de homocisteína no sangue.

Homocisteína: o marcador que seu check-up ignora
A homocisteína é um aminoácido que se acumula quando a metilação não está funcionando adequadamente. Níveis elevados estão associados a maior risco de doenças cardiovasculares, declínio cognitivo, depressão e até complicações na gravidez.
O problema? A maioria dos exames de rotina não inclui a dosagem de homocisteína. Você pode ter colesterol normal, pressão arterial controlada e ainda assim estar acumulando esse composto inflamatório nas suas artérias.
Estudos mostram que pessoas com homocisteína acima de 10 µmol/L têm risco cardiovascular significativamente aumentado. E aqui entra a betaína: ela converte homocisteína de volta em metionina, um aminoácido essencial, reduzindo seus níveis de forma direta e eficiente.
Esse é exatamente o tipo de desequilíbrio que investigamos na Clínica Rigatti, com protocolos que vão além dos marcadores convencionais.
Como a betaína protege seu coração e cérebro
A ação da betaína vai muito além de controlar a homocisteína. Ela atua em múltiplas frentes:
Proteção cardiovascular: Ao reduzir a homocisteína, a betaína diminui a inflamação vascular e previne o endurecimento das artérias. Pesquisas indicam que a suplementação pode reduzir a homocisteína em até 20% em pessoas com níveis elevados.
Saúde hepática: A betaína protege o fígado contra o acúmulo de gordura (esteatose hepática) e melhora a função de desintoxicação. Ela trabalha em sinergia com a colina, outro nutriente essencial para a saúde do fígado.
Performance física: Atletas usam betaína para melhorar força muscular e resistência. Ela ajuda as células a manterem hidratação adequada e melhora a produção de energia celular.
Função cognitiva: A metilação adequada é crucial para a produção de neurotransmissores como serotonina e dopamina. Quando a betaína otimiza esse processo, humor e clareza mental tendem a melhorar.
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Quem precisa de betaína
Embora todos se beneficiem de uma metilação eficiente, alguns grupos têm necessidade aumentada de betaína:
Pessoas com homocisteína elevada são as candidatas mais óbvias. Se seu exame mostrou valores acima de 10 µmol/L, a betaína pode ser uma aliada poderosa.
Quem tem mutações genéticas como MTHFR também se beneficia. Essas variações genéticas comprometem a metilação, e a betaína oferece uma via alternativa para manter o processo funcionando.
Pessoas com esteatose hepática (gordura no fígado) encontram na betaína um suporte valioso para reverter o quadro. Ela ajuda o fígado a metabolizar gorduras de forma mais eficiente.
Atletas e praticantes de exercícios intensos podem usar betaína para melhorar performance e recuperação muscular. A dosagem típica para esse objetivo é de 2,5 a 5 gramas por dia.
Vegetarianos e veganos têm menor ingestão de betaína, já que as principais fontes são alimentos de origem animal e alguns vegetais específicos. A suplementação pode compensar essa lacuna.
Fontes alimentares e suplementação
Você pode obter betaína através da alimentação, mas as quantidades variam bastante. Beterraba é a fonte mais rica, seguida por espinafre, quinoa, camarão e trigo integral. O problema é que seria necessário consumir grandes quantidades desses alimentos diariamente para atingir doses terapêuticas.
Por isso, a suplementação se torna uma estratégia prática. A betaína anidra (ou TMG) é a forma mais comum, geralmente em doses de 500 mg a 3 gramas por dia, dependendo do objetivo e dos níveis de homocisteína.
Curioso como isso funciona, não é? A betaína não age sozinha — ela trabalha em conjunto com vitaminas do complexo B (especialmente B6, B12 e ácido fólico) para otimizar a metilação. Por isso, protocolos bem desenhados combinam esses nutrientes de forma sinérgica.
Segurança e considerações práticas
A betaína é considerada segura para a maioria das pessoas, com poucos efeitos colaterais relatados. Algumas pessoas podem experimentar desconforto gastrointestinal leve nas primeiras semanas, que geralmente desaparece com o uso contínuo.
Existe uma ressalva importante: em pessoas com doença renal avançada, a suplementação deve ser supervisionada, pois a conversão de homocisteína pode gerar outros metabólitos que precisam ser eliminados pelos rins.
Outro ponto de atenção: a betaína pode aumentar ligeiramente os níveis de colesterol LDL em algumas pessoas. Por isso, o acompanhamento médico com exames periódicos é fundamental para ajustar doses e monitorar resultados.

A betaína é um exemplo perfeito de como a medicina personalizada vai além dos marcadores convencionais. Enquanto a maioria dos check-ups ignora a homocisteína e a metilação, esses processos silenciosos podem estar determinando sua saúde cardiovascular, cognitiva e metabólica.
Quando você entende esses mecanismos e age nos pontos certos, seu corpo recebe o suporte que precisa para funcionar no seu melhor. Não é sobre tomar suplementos aleatoriamente — é sobre identificar suas necessidades individuais e criar um protocolo que faça sentido para você.
Na Clínica Rigatti, esse processo é avaliado de forma individualizada, cruzando exames, sintomas e histórico para criar estratégias que tratam a causa, não apenas os sintomas.
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