Você treina religiosamente, cuida da alimentação, busca performance — mas sua menstruação simplesmente desapareceu. E talvez você até tenha pensado: “Menos um incômodo para lidar”. Aqui está o que poucos te contam: a ausência de menstruação em mulheres ativas não é um troféu de dedicação. É um sinal vermelho de que seu corpo entrou em modo de sobrevivência.
Esse fenômeno tem nome: RED-S (Relative Energy Deficiency in Sport), ou Déficit Energético Relativo no Esporte. E ele vai muito além da amenorreia — afeta seus ossos, seu metabolismo, sua imunidade e até sua capacidade de pensar com clareza.
O que é RED-S e por que ele acontece
Pense no seu corpo como uma empresa que precisa pagar contas mensais: batimentos cardíacos, respiração, digestão, regulação térmica, reparação celular. Essas são as despesas fixas. Quando você treina intensamente, adiciona despesas extras — mas se a receita (calorias ingeridas) não cobre nem o básico, seu corpo começa a cortar custos.
E adivinhe qual departamento é considerado “não essencial” para a sobrevivência imediata? A reprodução.
RED-S acontece quando a energia disponível — aquela que sobra depois de subtrair o gasto do exercício — fica abaixo do necessário para manter as funções fisiológicas básicas. Não é apenas sobre comer pouco. É sobre a relação entre o que você consome e o que você gasta.
Mulheres que treinam para maratonas, praticam crossfit intenso, dançam profissionalmente ou simplesmente combinam treinos pesados com restrição calórica “para definir” estão em risco. E muitas nem percebem que estão nesse déficit crônico.

Amenorreia: o sintoma mais visível de um problema invisível
Quando a menstruação desaparece por três meses ou mais (amenorreia hipotalâmica funcional), não é porque seu corpo “se acostumou” com o treino. É porque ele detectou escassez de recursos e desligou temporariamente o eixo reprodutivo para economizar energia.
O hipotálamo — a central de comando hormonal no cérebro — reduz a produção de GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas). Isso, por sua vez, diminui o FSH e o LH, hormônios que estimulam os ovários. Resultado: sem ovulação, sem progesterona, sem menstruação.
Mas aqui está o problema: enquanto isso acontece, você também perde os efeitos protetores do estrogênio sobre os ossos, o coração, o cérebro e o humor.
Os efeitos que você não vê (mas que estão acontecendo)
RED-S é como um iceberg: a amenorreia é apenas a ponta visível. Abaixo da superfície, uma cascata de disfunções está em andamento.
Perda de densidade óssea: Sem estrogênio adequado, seus ossos perdem cálcio de forma acelerada. Mulheres jovens com RED-S podem ter densidade óssea comparável à de mulheres na menopausa — e isso aumenta drasticamente o risco de fraturas por estresse e osteoporose precoce.
Metabolismo desacelerado: Seu corpo se adapta ao déficit crônico reduzindo a taxa metabólica basal. Você queima menos calorias em repouso, sente mais frio, fica mais cansada. Ironicamente, treinar mais e comer menos pode fazer você ganhar gordura a longo prazo.
Imunidade comprometida: Infecções respiratórias recorrentes, cicatrização lenta, maior suscetibilidade a doenças. Seu sistema imune também é considerado “dispensável” quando a energia está escassa.
Performance prejudicada: Você treina mais, mas seus resultados estagnam ou pioram. Força reduzida, recuperação lenta, lesões frequentes. O corpo em déficit não consegue se adaptar ao estímulo do treino.
Esse é exatamente o tipo de desequilíbrio que investigamos na Clínica Rigatti, com protocolos que avaliam não apenas hormônios, mas a relação entre energia, estresse e recuperação.
Quer saber se seu treino está prejudicando sua saúde hormonal? Converse com nossos especialistas e descubra.

Como identificar se você está em RED-S
Nem sempre é óbvio. Você pode não estar “passando fome” conscientemente, mas ainda assim estar em déficit energético relativo. Alguns sinais de alerta:
Sua menstruação ficou irregular ou desapareceu completamente. Você sente fadiga persistente, mesmo dormindo bem. Suas unhas estão quebradiças, seu cabelo cai mais que o normal. Você tem lesões recorrentes ou fraturas por estresse. Sua libido despencou. Você sente frio o tempo todo, mesmo em ambientes aquecidos. Seus treinos parecem cada vez mais difíceis, e a recuperação é lenta.
Se você se identificou com três ou mais desses sinais, vale investigar. Exames hormonais (FSH, LH, estradiol, progesterona, TSH, T3, cortisol) combinados com avaliação da composição corporal e histórico alimentar podem revelar o quadro completo.
O paradoxo da atleta: treinar menos para render mais
Aqui está a parte difícil: a solução para RED-S muitas vezes envolve reduzir o volume ou a intensidade dos treinos. Para quem ama se exercitar ou compete profissionalmente, isso soa como retrocesso. Mas é exatamente o oposto.
Seu corpo precisa de um sinal claro de que há recursos suficientes. Isso significa aumentar a ingestão calórica — especialmente de carboidratos, que são o combustível preferido para exercícios de alta intensidade — e permitir que o sistema nervoso central relaxe o estado de alerta.
Estudos mostram que mulheres com amenorreia hipotalâmica funcional que aumentam a ingestão energética em 300-500 calorias por dia e reduzem o treino em 10-20% frequentemente recuperam o ciclo menstrual em 3-6 meses. E, surpreendentemente, muitas relatam melhora na performance depois da recuperação.
A conexão entre nutrição e hormônios é mais profunda do que imaginamos — e ignorá-la pode custar anos de saúde.
Tratamento: restaurando o equilíbrio
Reverter RED-S não é questão de tomar um suplemento ou ajustar um único hormônio. É sobre restaurar a disponibilidade energética e permitir que o corpo saia do modo de sobrevivência.
Ajuste nutricional: Trabalhar com um nutricionista especializado em esporte para calcular suas necessidades reais e garantir que você está consumindo energia suficiente — não apenas para treinar, mas para viver.
Periodização do treino: Ciclos de treino que incluem fases de recuperação ativa, redução de volume e intensidade estratégica. Treinar inteligente, não apenas duro.
Suporte hormonal quando necessário: Em alguns casos, reposição hormonal temporária pode ser indicada para proteger a densidade óssea enquanto o corpo se recupera. Mas isso nunca substitui a correção da causa raiz.
Monitoramento contínuo: Acompanhamento médico regular com exames hormonais, avaliação de composição corporal e, quando possível, densitometria óssea para garantir que a recuperação está acontecendo.
Na Clínica Rigatti, esse processo é avaliado de forma individualizada, cruzando exames, sintomas e histórico para criar um protocolo que respeita seus objetivos sem comprometer sua saúde.

Saúde não é opcional — nem mesmo para atletas
Existe uma linha tênue entre dedicação e autossabotagem. Treinar é maravilhoso. Buscar performance é legítimo. Mas quando seu corpo começa a desligar funções essenciais para sustentar o ritmo que você impõe, é hora de reavaliar.
A ausência de menstruação não é um sinal de que você “evoluiu” além das limitações femininas. É um pedido de socorro. E ignorá-lo pode custar sua saúde óssea, sua fertilidade futura, seu metabolismo e sua qualidade de vida.
A boa notícia? RED-S é reversível. Com as intervenções certas, seu corpo pode recuperar o equilíbrio hormonal, sua menstruação pode voltar, e você pode continuar treinando — dessa vez, de forma sustentável.
Porque saúde e performance não são opostos. Elas caminham juntas quando você entende e respeita os sinais que seu corpo está enviando.
Pronta para recuperar seu equilíbrio hormonal sem abrir mão do que você ama?
Agende sua avaliação e descubra o caminho personalizado para treinar com saúde e performance.



No responses yet