Visualização detalhada de formação de coágulo sanguíneo em veia, ilustrando o risco de trombose associado à terapia hormonal

Se você está considerando terapia hormonal da menopausa (THM), provavelmente já ouviu falar sobre o risco de trombose. É uma preocupação legítima — e aqui está o que poucos te contam: a forma como o hormônio entra no seu corpo faz toda a diferença na segurança do tratamento.

A via de administração não é apenas um detalhe técnico. Ela determina como seu fígado processa o estrogênio, como seu sangue responde e, consequentemente, qual é o seu risco real de eventos tromboembólicos.

Vamos entender por que a via transdérmica tem se mostrado uma opção mais segura para muitas mulheres — especialmente aquelas com fatores de risco cardiovascular.

O que acontece quando o estrogênio passa pelo fígado

Quando você toma estrogênio oral — seja em comprimido ou cápsula — ele segue um caminho específico: da boca para o estômago, depois para o intestino, e de lá direto para o fígado através da veia porta. Esse processo tem um nome técnico: metabolismo de primeira passagem hepática.

E aqui está o problema: ao passar pelo fígado em alta concentração logo após a ingestão, o estrogênio oral estimula a produção de várias proteínas de coagulação. Entre elas, fatores como fibrinogênio, fator VII e proteína C reativa — todos associados a um aumento do risco de formação de coágulos.

Pense no fígado como uma fábrica que recebe uma encomenda enorme de uma só vez. Ele responde produzindo substâncias que, embora naturais, podem inclinar a balança da coagulação para um território mais arriscado.

Estudos mostram que mulheres usando estrogênio oral têm um risco 2 a 4 vezes maior de trombose venosa profunda comparadas àquelas que não usam hormônios. Esse dado não deve ser ignorado — mas também não deve ser o fim da conversa sobre reposição hormonal.

Comparação visual entre pílula hormonal oral e adesivo transdérmico, demonstrando diferentes vias de administração da terapia hormonal

Como a via transdérmica muda esse cenário

Agora imagine um caminho diferente: o estrogênio aplicado na pele — em gel, adesivo ou creme — é absorvido diretamente pela corrente sanguínea, sem passar primeiro pelo fígado. Ele circula pelo corpo em concentrações mais estáveis e fisiológicas, chegando aos tecidos-alvo de forma gradual.

Quando finalmente chega ao fígado, já está diluído na circulação sistêmica. Não há aquele pico de concentração que dispara a produção exagerada de fatores de coagulação. O resultado? Um perfil de segurança cardiovascular significativamente melhor.

Pesquisas recentes demonstram que o estradiol transdérmico não aumenta — ou aumenta minimamente — o risco de trombose venosa. Alguns estudos inclusive não encontraram diferença estatística entre mulheres usando transdérmico e aquelas sem reposição hormonal.

Esse é exatamente o tipo de nuance que investigamos na Clínica Rigatti, onde a escolha da via de administração é sempre personalizada ao perfil de risco de cada paciente.

Quem mais se beneficia da via transdérmica

A via transdérmica não é apenas uma alternativa — para algumas mulheres, ela é a escolha preferencial. Especialmente se você tem:

Histórico pessoal ou familiar de trombose: Se você ou familiares de primeiro grau já tiveram eventos tromboembólicos, a via oral pode representar um risco inaceitável. O transdérmico permite que você acesse os benefícios da THM com um perfil de segurança muito mais favorável.

Fatores de risco cardiovascular: Obesidade, hipertensão, diabetes, tabagismo (embora idealmente você deveria parar de fumar) — todos esses fatores já aumentam seu risco basal de trombose. Adicionar estrogênio oral a essa equação pode ser problemático. O transdérmico oferece uma janela terapêutica mais segura.

Idade acima de 60 anos ou mais de 10 anos desde a menopausa: O risco cardiovascular aumenta com o tempo. Iniciar THM nessa fase com via oral é controverso. A via transdérmica, quando indicada, apresenta menos impacto nos marcadores de coagulação.

Enxaqueca com aura: Essa condição já está associada a um risco ligeiramente aumentado de AVC. Estrogênio oral pode amplificar esse risco. O transdérmico mantém níveis mais estáveis, reduzindo flutuações que podem desencadear crises.

Quer saber se a via transdérmica é a melhor opção para o seu caso? Converse com nossos especialistas e descubra o protocolo mais seguro para você.

Mulher madura monitorando pressão arterial em casa como parte da avaliação de fatores de risco cardiovascular antes da terapia hormonal

Outros fatores que influenciam o risco

A via de administração é crucial, mas não é o único fator. A dose também importa — e muito. Doses mais baixas de estrogênio, mesmo por via oral, apresentam menor risco trombótico do que doses elevadas. O tipo de progestagênio usado em combinação também influencia: alguns têm perfil mais neutro, enquanto outros podem aumentar ligeiramente o risco.

E aqui está algo que muitas mulheres não sabem: o momento de iniciar a THM faz diferença. Começar a reposição nos primeiros anos após a menopausa — a chamada “janela de oportunidade” — está associado a benefícios cardiovasculares, enquanto iniciar muitos anos depois pode ter efeitos diferentes.

Por isso, a decisão sobre THM nunca deve ser baseada apenas em um único fator. Ela exige uma avaliação completa: seus sintomas, seu histórico médico, seus exames laboratoriais, seus objetivos de saúde. É medicina personalizada no sentido mais literal.

O que a ciência mais recente nos diz

Durante anos, a THM foi vista com desconfiança por causa de estudos que mostraram riscos cardiovasculares. Mas a ciência evoluiu — e hoje entendemos que aqueles estudos tinham limitações importantes: usavam principalmente estrogênios equinos conjugados por via oral, em mulheres mais velhas, muitas delas iniciando a terapia anos após a menopausa.

As diretrizes atuais das principais sociedades médicas internacionais reconhecem que o estradiol transdérmico tem um perfil de segurança superior ao oral, especialmente em relação ao risco trombótico. A Sociedade Internacional de Menopausa, a Sociedade Norte-Americana de Menopausa e a Sociedade Europeia de Menopausa convergem nesse ponto.

Isso não significa que a via oral seja sempre perigosa ou que a transdérmica seja sempre perfeita. Significa que temos ferramentas para individualizar o tratamento de forma mais inteligente, considerando o perfil de risco de cada mulher.

Na hormonoterapia bioidêntica, essa personalização vai ainda mais longe: ajustamos não apenas a via, mas também o tipo de hormônio, a dose e a combinação, sempre baseados em evidências e monitoramento contínuo.


Site Clínica Rigatti

A THM não é uma decisão binária entre fazer ou não fazer. É uma escolha sofisticada sobre como fazer — e a via transdérmica representa uma das evoluções mais importantes na segurança desse tratamento. Ela permite que mulheres com fatores de risco que antes seriam contraindicações absolutas possam acessar os benefícios da reposição hormonal com tranquilidade.

O medo da trombose é compreensível, mas não deve ser paralisante. Com avaliação adequada, escolha criteriosa da via de administração e monitoramento regular, a THM pode ser não apenas segura, mas transformadora para sua qualidade de vida na menopausa e além.

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