Você já se pegou pensando se deveria congelar seus óvulos, mas não sabe por onde começar? Talvez você esteja focada na carreira, ainda não encontrou o parceiro ideal, ou simplesmente quer ter controle sobre seu futuro reprodutivo. A criopreservação de óvulos deixou de ser um procedimento experimental para se tornar uma ferramenta real de planejamento de vida — mas não é para todo mundo, e o timing faz toda a diferença.
Aqui está o que poucos te contam: seus óvulos envelhecem com você, mas de forma muito mais acelerada do que o resto do seu corpo. E diferente do que acontece com os homens, que produzem espermatozoides continuamente, você nasceu com todos os óvulos que terá na vida. A cada mês que passa, não apenas a quantidade diminui — a qualidade também declina.
O relógio biológico que ninguém te explicou direito
Pense na sua reserva ovariana como uma conta bancária que só permite saques, nunca depósitos. Você nasceu com cerca de 1 a 2 milhões de óvulos. Na puberdade, esse número já caiu para 300 a 500 mil. Aos 35 anos, restam aproximadamente 25 mil. E aos 40? Apenas 10 mil — e a qualidade desses óvulos é significativamente menor.
O que torna isso ainda mais complexo é que cada mulher tem seu próprio ritmo de declínio. Algumas mantêm boa reserva até os 38 anos, enquanto outras começam a perder qualidade ovariana aos 32. É aqui que entra o AMH (hormônio antimülleriano) — um marcador sanguíneo que funciona como um termômetro da sua reserva ovariana.
Diferente do FSH, que varia ao longo do ciclo, o AMH pode ser dosado em qualquer dia e oferece uma fotografia bastante precisa de quantos óvulos você ainda tem em estoque. Valores abaixo de 1,0 ng/mL sugerem reserva diminuída, enquanto acima de 2,0 ng/mL indica boa reserva. Mas atenção: AMH alto não significa necessariamente óvulos de qualidade — apenas quantidade.

Para quem o congelamento realmente faz sentido
A criopreservação não é uma apólice de seguro universal. Ela funciona melhor em cenários específicos, e entender se você se encaixa neles pode poupar tempo, dinheiro e expectativas frustradas.
Mulheres entre 30 e 35 anos que querem adiar a maternidade: Essa é a janela ideal. Seus óvulos ainda têm boa qualidade, mas você ganha tempo para focar em outros aspectos da vida sem a pressão do relógio biológico. Estudos mostram que óvulos congelados nessa faixa etária têm taxas de sucesso de gravidez entre 40% e 60% por ciclo de fertilização.
Mulheres com histórico familiar de menopausa precoce: Se sua mãe ou irmãs entraram na menopausa antes dos 45 anos, você pode ter predisposição genética para reserva ovariana diminuída. Nesse caso, avaliar seu AMH e considerar a criopreservação mais cedo pode ser estratégico.
Pacientes oncológicas antes de quimioterapia ou radioterapia: Tratamentos contra o câncer podem comprometer severamente a função ovariana. Congelar óvulos antes do início do tratamento preserva a possibilidade de maternidade biológica futura — e muitos planos de saúde cobrem o procedimento nesse contexto.
Mulheres com endometriose avançada: A endometriose pode afetar tanto a quantidade quanto a qualidade dos óvulos ao longo do tempo. Se você tem a doença e ainda não planeja engravidar nos próximos anos, a criopreservação pode ser uma forma de proteger sua fertilidade enquanto trata a condição.
Esse é exatamente o tipo de decisão que avaliamos de forma individualizada na Clínica Rigatti, cruzando exames hormonais, histórico familiar e objetivos de vida.
Quando NÃO faz sentido congelar óvulos
Tão importante quanto saber quando considerar é entender quando o procedimento provavelmente não trará o retorno esperado.
Após os 38-40 anos: A qualidade ovariana declina exponencialmente após essa idade. Mesmo que você consiga coletar óvulos, as taxas de sucesso caem drasticamente — muitas vezes para menos de 20% por ciclo. Nesse cenário, pode fazer mais sentido partir direto para tentativas de gravidez natural ou fertilização in vitro imediata.
Com AMH muito baixo: Se seu AMH está abaixo de 0,5 ng/mL, a estimulação ovariana provavelmente não gerará óvulos suficientes para justificar o investimento. Cada ciclo de coleta pode resultar em apenas 1 ou 2 óvulos — e você precisaria de pelo menos 10 a 15 óvulos congelados para ter chances razoáveis de gravidez futura.
Como solução para problemas hormonais não tratados: Se você tem ciclos irregulares, progesterona baixa ou outros desequilíbrios hormonais, o ideal é primeiro tratar essas condições. Congelar óvulos não resolve problemas de saúde reprodutiva subjacentes — e óvulos de mulheres com desequilíbrios hormonais não tratados podem ter qualidade comprometida.
Quer saber se a criopreservação faz sentido para o seu caso? Converse com nossos especialistas e descubra qual o melhor caminho para preservar sua fertilidade.

O que esperar do processo de criopreservação
Entender o procedimento ajuda a tomar uma decisão mais informada. A criopreservação não é um processo simples — exige tempo, comprometimento e investimento financeiro considerável.
Fase 1: Avaliação hormonal completa. Você fará exames de sangue para dosar AMH, FSH, estradiol e outros marcadores. Uma ultrassonografia transvaginal contará seus folículos antrais (pequenas estruturas que contêm óvulos imaturos). Esses dados determinam seu potencial de resposta à estimulação.
Fase 2: Estimulação ovariana. Durante 10 a 14 dias, você aplicará injeções diárias de hormônios para estimular seus ovários a maturar múltiplos óvulos simultaneamente (em vez de apenas um, como acontece naturalmente). Você fará ultrassons de controle a cada 2-3 dias para monitorar o crescimento dos folículos.
Fase 3: Coleta dos óvulos. Quando os folículos atingem o tamanho ideal, você recebe uma injeção final para maturação e, 36 horas depois, passa por um procedimento de aspiração folicular sob sedação. Uma agulha fina guiada por ultrassom coleta o líquido de cada folículo, onde estão os óvulos. O procedimento dura cerca de 20 minutos.
Fase 4: Vitrificação. Os óvulos coletados são imediatamente congelados usando uma técnica ultrarrápida chamada vitrificação, que evita a formação de cristais de gelo que poderiam danificar as células. Eles ficam armazenados em nitrogênio líquido a -196°C, onde podem permanecer viáveis por décadas.
Aqui está o ponto crucial: o número de óvulos coletados não é o número de bebês que você terá. Em média, apenas 75% dos óvulos congelados sobrevivem ao descongelamento. Desses, cerca de 75% são fertilizados com sucesso. E apenas 30-40% dos embriões gerados resultam em gravidez. Por isso, especialistas recomendam congelar pelo menos 15 a 20 óvulos para ter chances razoáveis de uma gravidez futura.
O que a ciência diz sobre taxas de sucesso
Vamos aos números reais, sem romantização. Um estudo publicado no Journal of Assisted Reproduction and Genetics acompanhou mais de 1.200 mulheres que congelaram óvulos e analisou as taxas de nascidos vivos por faixa etária:
Mulheres que congelaram óvulos aos 30-34 anos e utilizaram 15 óvulos tiveram 70% de chance de ter pelo menos um bebê. Aos 35-37 anos, essa taxa cai para 50%. Após os 38 anos, cai para 30%. E após os 40, para menos de 20%.
Esses dados reforçam o que já mencionamos: quanto mais jovem você congela, melhores as chances. Mas também revelam algo importante — mesmo na melhor das hipóteses, não há garantias. A criopreservação aumenta suas chances, mas não as torna absolutas.
Outro ponto que merece atenção: o tempo de armazenamento não afeta a qualidade dos óvulos. Óvulos congelados por 1 ano têm a mesma viabilidade que óvulos congelados por 10 anos. O que importa é a idade que você tinha quando os congelou, não quanto tempo eles ficaram armazenados.

Criopreservação como parte de um planejamento maior
O congelamento de óvulos não deveria ser visto isoladamente, mas como parte de uma estratégia mais ampla de saúde reprodutiva e longevidade. Antes de investir no procedimento, vale a pena otimizar sua saúde hormonal e metabólica — isso não apenas melhora a qualidade dos óvulos coletados, mas também prepara seu corpo para uma gestação futura mais saudável.
Mulheres com desequilíbrios hormonais não tratados, resistência à insulina, inflamação crônica ou deficiências nutricionais podem ter óvulos de qualidade comprometida — mesmo sendo jovens. Por isso, uma avaliação hormonal completa, ajustes na alimentação, suplementação estratégica e controle do estresse podem fazer diferença real nos resultados.
Na Clínica Rigatti, esse processo é avaliado de forma individualizada, cruzando exames, sintomas e histórico para identificar o melhor momento e as melhores condições para a criopreservação — ou se há alternativas mais adequadas para o seu caso.
A decisão de congelar óvulos é profundamente pessoal e multifatorial. Não existe resposta certa ou errada — existe a resposta certa para você, considerando sua idade, reserva ovariana, objetivos de vida, saúde hormonal e recursos disponíveis. O que importa é tomar essa decisão com informação de qualidade, expectativas realistas e suporte médico adequado.
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