Homem preocupado analisando frasco de testosterona enquanto pesquisa sobre fertilidade, representando a decisão difícil entre TRT e preservação da capacidade reprodutiva

Você está considerando TRT para recuperar energia, libido e massa muscular, mas já parou para pensar no que acontece com sua fertilidade? Aqui está o paradoxo que poucos médicos explicam claramente: a mesma testosterona que promete restaurar sua virilidade pode, ironicamente, comprometer sua capacidade de ter filhos.

Parece contraditório, não é? Afinal, testosterona é o hormônio masculino por excelência. Mas a verdade é que seu corpo funciona como um sistema de feedback extremamente sensível — e quando você introduz testosterona de fora, você desliga justamente o mecanismo que produz espermatozoides.

Vamos entender exatamente como isso acontece e, mais importante, o que você pode fazer a respeito.

O eixo que comanda tudo: como seu corpo produz testosterona e esperma

Para entender o problema, você precisa conhecer o eixo HPG masculino — a orquestra hormonal que coordena sua produção de testosterona e espermatozoides.

Funciona assim: seu hipotálamo (no cérebro) libera GnRH, que estimula a hipófise a produzir dois hormônios cruciais — LH e FSH. O LH vai até os testículos e ordena a produção de testosterona. Já o FSH tem uma missão diferente: ele ativa as células de Sertoli, responsáveis por nutrir e amadurecer os espermatozoides.

Esse sistema funciona em loop fechado. Quando seus níveis de testosterona sobem naturalmente, seu cérebro detecta e reduz a produção de GnRH. Quando caem, ele aumenta. É um termostato biológico perfeitamente calibrado.

Mas aqui está o problema: esse termostato não distingue testosterona produzida pelos seus testículos de testosterona injetada ou aplicada em gel.

O que acontece quando você começa TRT

Quando você introduz testosterona exógena — seja por injeção, gel ou adesivo — seus níveis sanguíneos de testosterona sobem rapidamente. Seu cérebro detecta esse aumento e interpreta: “Temos testosterona suficiente, não precisamos produzir mais”.

E então ele desliga o sinal.

A produção de GnRH despenca. Consequentemente, a hipófise para de liberar FSH e LH. Sem LH, seus testículos param de produzir testosterona própria. E sem FSH, a espermatogênese — o processo de produção de espermatozoides — simplesmente estaciona.

Estudos mostram que após 3 a 6 meses de TRT, cerca de 90% dos homens apresentam contagem de espermatozoides severamente reduzida ou até zero. Alguns chegam à azoospermia — ausência completa de espermatozoides no ejaculado.

Modelo educativo do sistema reprodutor masculino demonstrando o eixo HPG e como a testosterona exógena suprime a produção natural de espermatozoides

Por que a testosterona sozinha não basta para produzir esperma

Aqui está a parte que confunde muita gente: mesmo com testosterona alta no sangue, seus testículos precisam de testosterona LOCAL — produzida ali mesmo — em concentrações muito superiores às encontradas na circulação geral.

Pense assim: é como se seus testículos tivessem uma fábrica que precisa de matéria-prima específica entregue diretamente na porta. A testosterona que circula no seu sangue não chega lá nas concentrações necessárias para manter a linha de produção funcionando.

Além disso, o FSH é absolutamente essencial. Ele ativa as células de Sertoli, que funcionam como “babás” dos espermatozoides em desenvolvimento. Sem FSH, essas células entram em modo de hibernação — e a produção de esperma simplesmente não acontece.

Esse é exatamente o tipo de desequilíbrio que investigamos na Clínica Rigatti, com protocolos que consideram não apenas seus níveis hormonais, mas seus objetivos de vida — incluindo fertilidade.

Quer saber se TRT é compatível com seus planos de ter filhos? Converse com nossos especialistas e descubra as alternativas personalizadas para o seu caso.

A boa notícia: o processo geralmente é reversível

Antes que você entre em pânico: na maioria dos casos, a supressão da espermatogênese causada por TRT é reversível. Quando você interrompe a testosterona exógena, o eixo HPG gradualmente volta a funcionar.

Mas aqui está o detalhe importante: o tempo de recuperação varia muito. Alguns homens recuperam a produção normal de esperma em 3 a 6 meses. Outros levam mais de um ano. E em casos raros — especialmente após uso prolongado de doses altas — a recuperação pode ser incompleta.

Fatores que influenciam a recuperação incluem: duração do uso de TRT, dose utilizada, idade, saúde testicular prévia e uso de outras substâncias (como anabolizantes).

Por isso, se você está em TRT e planeja ter filhos, o ideal é discutir estratégias preventivas ANTES que a supressão se instale completamente.

Demonstração visual do protocolo de recuperação da fertilidade após TRT, mostrando medicações hCG e FSH usadas para restaurar a espermatogênese

Alternativas para preservar fertilidade durante TRT

Existem protocolos que permitem manter níveis adequados de testosterona sem suprimir completamente a espermatogênese. A estratégia mais comum envolve adicionar hCG (gonadotrofina coriônica humana) ao protocolo de TRT.

O hCG mimetiza o LH, mantendo os testículos ativos e produzindo testosterona local. Isso preserva tanto o volume testicular quanto, em muitos casos, a produção de espermatozoides. Alguns protocolos também incluem FSH recombinante ou clomifeno para estimular diretamente a espermatogênese.

Outra opção é usar moduladores seletivos de receptores de estrogênio (SERMs) como clomifeno ou enclomifeno, que estimulam a produção natural de testosterona sem suprimir o eixo. Eles não elevam a testosterona tanto quanto TRT tradicional, mas preservam completamente a fertilidade.

Para homens que já estão em TRT e desejam ter filhos, o protocolo geralmente envolve interromper a testosterona exógena e iniciar terapia com hCG e FSH para “religar” o eixo e restaurar a espermatogênese.

Quando considerar criopreservação de esperma

Se você está prestes a iniciar TRT e ainda não tem certeza sobre seus planos reprodutivos futuros, a criopreservação (congelamento) de esperma é uma opção inteligente.

É um seguro biológico. Você coleta e congela amostras de sêmen antes de começar o tratamento, garantindo que terá espermatozoides viáveis disponíveis caso decida ter filhos no futuro — independentemente de como seu corpo responda à TRT.

O processo é simples, relativamente acessível, e as amostras podem ser armazenadas por décadas sem perda significativa de qualidade.


Site Clínica Rigatti

A importância de um protocolo individualizado

Aqui está o que você precisa entender: TRT não é uma sentença de infertilidade permanente, mas também não é algo para ser feito sem planejamento cuidadoso — especialmente se você ainda pretende ter filhos.

O problema não é a testosterona em si. O problema é a abordagem padronizada que ignora o eixo HPG e trata todos os homens como se tivessem as mesmas necessidades e objetivos.

Na medicina personalizada, avaliamos não apenas seus níveis hormonais atuais, mas seu histórico, seus sintomas, seus objetivos de vida e sua função testicular. A partir daí, desenhamos um protocolo que equilibra otimização hormonal com preservação da fertilidade — quando isso é importante para você.

Às vezes isso significa usar hCG desde o início. Outras vezes, significa optar por SERMs em vez de testosterona exógena. E em alguns casos, significa criopreservar esperma antes de iniciar TRT tradicional.

Conheça os protocolos de otimização hormonal da Clínica Rigatti e descubra como equilibrar performance, vitalidade e fertilidade de forma personalizada.

TRT pode ser transformador para sua qualidade de vida, energia e composição corporal. Mas como qualquer intervenção hormonal, exige compreensão profunda dos mecanismos envolvidos e planejamento cuidadoso. A supressão da espermatogênese não é um efeito colateral inevitável — é uma consequência previsível de como o protocolo é desenhado.

Quando você entende o eixo HPG e trabalha COM ele, em vez de contra ele, é possível otimizar seus hormônios sem sacrificar sua fertilidade. Não é sobre escolher entre virilidade e paternidade. É sobre encontrar o protocolo certo para seus objetivos específicos.

Pronto para otimizar sua testosterona sem comprometer sua fertilidade?

Agende sua avaliação e descubra o protocolo personalizado que equilibra performance e preservação reprodutiva.

Gostou da postagem? Não se esqueça de compartilhar!

Combinamos ciência, tecnologia e personalização para transformar sua performance, de dentro para fora.

No responses yet

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *