Você convive com aquela dor na região pélvica que parece não ter explicação? Já passou por diversos médicos, fez exames, e a resposta que mais ouve é “pode ser endometriose” — mas os tratamentos não resolvem completamente o problema. E se eu te disser que existe outra causa de dor pélvica crônica que é frequentemente confundida com endometriose, mas tem origem completamente diferente?
A dor miofascial pélvica é uma condição real, incapacitante e subdiagnosticada. Enquanto a endometriose envolve tecido endometrial fora do útero, a dor miofascial tem origem nos músculos e fáscias da região pélvica. Ambas causam dor intensa, mas exigem abordagens distintas.
Neste artigo, você vai entender as diferenças fundamentais entre essas duas condições e descobrir por que identificar a causa correta pode ser a chave para finalmente encontrar alívio.
O que é endometriose e como ela causa dor
A endometriose acontece quando o tecido semelhante ao endométrio — aquele que reveste o útero — cresce fora dele. Esses fragmentos podem se instalar nos ovários, trompas, intestino, bexiga e até em órgãos distantes.
O problema é que esse tecido responde aos hormônios do ciclo menstrual. Todo mês, ele cresce, inflama e sangra — mas sem ter para onde ir. Esse processo gera inflamação crônica, aderências e cicatrizes que literalmente “colam” órgãos uns nos outros.
A dor da endometriose costuma ser:
- Cíclica: Piora durante ou próximo à menstruação
- Profunda: Sensação de pressão interna, especialmente durante relações sexuais
- Progressiva: Tende a piorar com o tempo se não tratada
- Acompanhada de outros sintomas: Fadiga intensa, alterações intestinais durante o período, infertilidade
Estudos mostram que a endometriose afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, mas o diagnóstico pode levar até 7 anos para ser confirmado. Isso acontece porque os sintomas se sobrepõem a outras condições — incluindo a dor miofascial.

Dor miofascial pélvica: a causa invisível nos exames
Agora imagine que a origem da sua dor não está nos órgãos internos, mas nos músculos que sustentam sua pelve. A dor miofascial pélvica acontece quando os músculos do assoalho pélvico desenvolvem pontos de tensão crônica — os chamados pontos-gatilho.
Pense nesses músculos como uma rede de sustentação que fica constantemente contraída, como se você estivesse segurando uma postura defensiva o tempo todo. Essa tensão cria nódulos dolorosos que irradiam dor para áreas vizinhas.
A dor miofascial pélvica costuma ser:
- Constante ou intermitente: Não necessariamente ligada ao ciclo menstrual
- Localizada e irradiada: Você consegue apontar onde dói, mas a dor se espalha para coxas, região lombar ou abdômen
- Pior com certas posições: Sentar por muito tempo, dirigir, ou certos movimentos intensificam o desconforto
- Associada a disfunções: Dor ao urinar, urgência urinária, constipação, dor durante relações sexuais
Aqui está o problema: a ressonância magnética não mostra tensão muscular. Os exames de imagem buscam lesões visíveis, aderências, cistos — mas os pontos-gatilho miofasciais são funcionais, não estruturais. Por isso, muitas mulheres ouvem que “está tudo normal” nos exames, mesmo sentindo dor real e incapacitante.
Por que essas condições são confundidas
A confusão acontece porque ambas as condições compartilham sintomas centrais: dor pélvica crônica, desconforto durante relações sexuais e impacto significativo na qualidade de vida. Além disso, elas podem coexistir — a endometriose pode desencadear tensão muscular reflexa, criando um ciclo de dor que envolve ambos os mecanismos.
Outro fator é o viés diagnóstico. Quando uma mulher jovem chega ao consultório com dor pélvica, a primeira suspeita costuma ser endometriose. A avaliação muscular do assoalho pélvico raramente faz parte da investigação inicial, mesmo sendo uma causa comum de dor crônica.
Pesquisas indicam que até 85% das mulheres com dor pélvica crônica apresentam disfunção do assoalho pélvico — mas apenas uma pequena parcela recebe esse diagnóstico.
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Como diferenciar na prática
A diferenciação começa com uma história clínica detalhada e um exame físico específico. Enquanto a endometriose geralmente piora com o ciclo hormonal, a dor miofascial responde mais a padrões posturais e mecânicos.
Alguns sinais que sugerem componente miofascial:
- Dor que melhora com calor local ou alongamentos específicos
- Piora após ficar sentada por longos períodos
- Sensibilidade ao toque em pontos específicos da região pélvica externa
- Histórico de trauma pélvico, cirurgias ou partos complicados
- Dor que não melhora significativamente com tratamentos hormonais
Na Clínica Rigatti, essa investigação é feita de forma integrada, cruzando sintomas, exames de imagem, marcadores inflamatórios e avaliação funcional. Porque tratar dor pélvica crônica exige olhar para o corpo como um sistema, não como órgãos isolados.

Abordagens de tratamento: por que a diferença importa
Identificar corretamente a causa da dor não é apenas uma questão de diagnóstico — é o que define se o tratamento vai funcionar ou não.
Para endometriose, o tratamento envolve controle da inflamação, modulação hormonal, nutrição anti-inflamatória e, em alguns casos, cirurgia para remoção de lesões. O foco está em reduzir o crescimento do tecido ectópico e controlar a resposta inflamatória.
Já para dor miofascial pélvica, a abordagem é completamente diferente:
- Fisioterapia pélvica especializada: Liberação de pontos-gatilho, fortalecimento e relaxamento muscular
- Terapias manuais: Massagem interna e externa para desfazer tensões crônicas
- Biofeedback: Treinar a consciência e controle dos músculos pélvicos
- Controle da dor neuropática: Quando a tensão crônica sensibiliza nervos locais
- Correção postural: Identificar e corrigir padrões que perpetuam a tensão
Aqui está o ponto crucial: se você tem dor miofascial e está sendo tratada apenas para endometriose, a melhora será parcial ou inexistente. E o contrário também é verdadeiro — fisioterapia pélvica sozinha não resolve lesões de endometriose ativa.
Quando as duas condições coexistem
E se você tiver ambas? Isso é mais comum do que parece. A endometriose pode criar um ciclo de dor que leva à tensão muscular reflexa. Seu corpo, tentando proteger a área dolorida, contrai os músculos pélvicos cronicamente — e essa tensão se torna uma fonte adicional de dor.
Nesses casos, o tratamento precisa ser integrado. Controlar a inflamação da endometriose enquanto simultaneamente libera a tensão muscular. É como apagar um incêndio e reconstruir a estrutura ao mesmo tempo.
Essa abordagem multidisciplinar é o que diferencia protocolos personalizados de tratamentos padronizados. Cada mulher tem uma combinação única de fatores — hormonais, inflamatórios, musculares, emocionais — que precisam ser endereçados de forma coordenada.

A dor pélvica crônica rouba sua energia, sua intimidade e sua qualidade de vida. Mas ela não precisa ser um mistério sem solução. Quando você entende se a origem é endometriose, dor miofascial ou uma combinação de ambas, o caminho para o alívio se torna claro.
O corpo feminino é complexo, e a dor pélvica é multifatorial. Mas com investigação adequada e tratamento direcionado, é possível recuperar o controle sobre seu corpo e sua vida. Conheça os tratamentos da Clínica Rigatti e veja como a medicina personalizada pode fazer diferença quando o convencional não resolve.
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