Profissional de saúde coletando amostra de sangue para exame de calcitonina, demonstrando o procedimento de detecção precoce do carcinoma medular de tireoide

Você já ouviu falar em calcitonina? Provavelmente não. Esse hormônio produzido pela tireoide vive na sombra de seus “primos” mais famosos — o TSH, T3 e T4. Mas aqui está algo que poucos te contam: em algumas situações específicas, medir a calcitonina pode ser a diferença entre detectar um câncer raro em estágio inicial ou descobri-lo tarde demais.

E o mais intrigante? Esse exame simples raramente é solicitado, mesmo quando deveria ser.

O que é calcitonina e por que ela importa

A calcitonina é um hormônio produzido pelas células C (também chamadas de células parafoliculares) da tireoide. Sua função principal é ajudar a regular os níveis de cálcio no sangue, trabalhando em parceria com o paratormônio — como dois maestros que equilibram a mesma orquestra metabólica.

Em condições normais, os níveis de calcitonina no sangue são baixos. Mas quando essas células C começam a se multiplicar de forma desordenada, desenvolvendo o que chamamos de carcinoma medular de tireoide (CMT), os níveis de calcitonina disparam. E aqui está o ponto crucial: esse aumento pode acontecer muito antes de qualquer sintoma aparecer.

Pense na calcitonina como um alarme de incêndio ultrassensível — ela dispara no início do problema, não quando as chamas já tomaram conta da casa.

Detalhe macro de tubos de coleta para exame de calcitonina e marcadores tumorais da tireoide em ambiente laboratorial clínico

Quando você deveria medir a calcitonina

A grande questão é: quem precisa dosar calcitonina? A resposta não é “todo mundo”, mas existem situações específicas onde esse exame se torna essencial.

Se você descobriu um nódulo na tireoide, a dosagem de calcitonina deveria fazer parte da investigação inicial. Estudos mostram que entre 0,5% e 1,5% dos nódulos de tireoide são, na verdade, carcinomas medulares — e a calcitonina elevada é o primeiro sinal de alerta.

Outro cenário importante: histórico familiar. O CMT pode ser hereditário em até 25% dos casos, associado a síndromes genéticas como a Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 2 (NEM-2). Se alguém na sua família teve CMT, você precisa investigar — não apenas com calcitonina, mas também com testes genéticos específicos.

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Os sinais de alerta que você não pode ignorar

O carcinoma medular de tireoide é silencioso nos estágios iniciais. Mas conforme avança, alguns sinais começam a aparecer — e reconhecê-los pode acelerar o diagnóstico.

O primeiro e mais comum é o nódulo palpável no pescoço. Diferente de outros nódulos tireoidianos que costumam ser descobertos por acaso em exames de imagem, o nódulo do CMT tende a ser mais firme e pode crescer progressivamente. Alguns pacientes também notam linfonodos aumentados na região cervical — um sinal de que o tumor pode estar se espalhando.

Aqui vem algo curioso: em casos avançados, o excesso de calcitonina e outras substâncias produzidas pelo tumor podem causar diarreia crônica. Parece estranho, não é? Mas acontece porque esses hormônios afetam a motilidade intestinal. É o tipo de sintoma que ninguém associaria à tireoide — e por isso muitas vezes passa despercebido.

Mulher realizando autoexame da região cervical para detecção de nódulos tireoidianos, demonstrando técnica de palpação do pescoço

Como funciona a investigação diagnóstica

Quando há suspeita de CMT, a investigação segue um protocolo específico. Primeiro, a dosagem basal de calcitonina — um exame de sangue simples. Valores acima de 10 pg/mL em mulheres ou 20 pg/mL em homens já acendem um sinal amarelo.

Em casos duvidosos, existe um teste provocativo: a estimulação com cálcio ou pentagastrina. Funciona assim: você recebe uma injeção dessas substâncias e mede-se a calcitonina antes e depois. Se os níveis dispararem, a probabilidade de CMT aumenta significativamente.

Mas a confirmação definitiva vem da punção aspirativa por agulha fina (PAAF) do nódulo, seguida de análise anatomopatológica. E aqui está um detalhe técnico importante: o material coletado pode ser testado para calcitonina diretamente — o que chamamos de “lavado da agulha”. Esse teste aumenta ainda mais a precisão diagnóstica.

Na Clínica Rigatti, essa investigação é feita de forma integrada, cruzando exames laboratoriais, de imagem e histórico familiar para construir um diagnóstico preciso.

Por que o CMT é diferente dos outros cânceres de tireoide

Se você já pesquisou sobre câncer de tireoide, provavelmente leu que a maioria tem excelente prognóstico. Isso é verdade — para os tipos papilífero e folicular, que representam mais de 90% dos casos. Mas o carcinoma medular joga em outra liga.

Primeiro, ele não responde ao iodo radioativo, o tratamento padrão para os outros tipos. Isso acontece porque as células C não captam iodo — elas têm origem e função diferentes das células foliculares que produzem os hormônios tireoidianos T3 e T4.

Segundo, o CMT tem maior tendência a metastatizar precocemente, especialmente para linfonodos cervicais, fígado e pulmões. Por isso, o diagnóstico precoce — quando o tumor ainda está confinado à tireoide — muda completamente o prognóstico.

E terceiro: a calcitonina serve não apenas para diagnóstico, mas também para monitoramento após o tratamento. Níveis persistentemente elevados ou em ascensão indicam doença residual ou recorrência — funcionando como um radar que detecta problemas antes mesmo de aparecerem em exames de imagem.

O papel da genética e o rastreamento familiar

Aqui está algo que pode impactar toda a sua família: cerca de 25% dos casos de CMT são hereditários, causados por mutações no gene RET. Essas mutações são transmitidas de forma autossômica dominante — ou seja, se você tem a mutação, há 50% de chance de passar para cada filho.

As síndromes associadas incluem a NEM-2A (que combina CMT com feocromocitoma e hiperparatireoidismo), a NEM-2B (CMT mais agressivo, com feocromocitoma e características físicas específicas) e o CMT familiar isolado.

A boa notícia? O teste genético para mutações no RET está disponível e é altamente preciso. Se você foi diagnosticado com CMT, todos os seus familiares de primeiro grau deveriam fazer o teste. E se a mutação for identificada em alguém assintomático, existe a possibilidade de cirurgia profilática — remover a tireoide antes mesmo do câncer se desenvolver.

Parece radical? Talvez. Mas em mutações de alto risco (como as associadas à NEM-2B), essa abordagem pode literalmente salvar vidas, já que o CMT nessas formas é extremamente agressivo e pode aparecer ainda na infância.


Site Clínica Rigatti

O que fazer se sua calcitonina estiver elevada

Primeiro, não entre em pânico. Calcitonina elevada nem sempre significa câncer. Existem outras causas: insuficiência renal crônica, uso de inibidores de bomba de prótons (como omeprazol), tireoidite autoimune, e até mesmo tabagismo podem elevar os níveis.

O que importa é a magnitude da elevação e o contexto clínico. Valores discretamente aumentados (entre 10-100 pg/mL) exigem investigação cuidadosa, mas podem ter causas benignas. Já valores acima de 100 pg/mL, especialmente se acompanhados de nódulo palpável, são altamente sugestivos de CMT.

A conduta depende de cada caso: repetir o exame, fazer o teste de estímulo, realizar PAAF do nódulo, solicitar exames de imagem (ultrassom cervical, tomografia), e investigar possíveis metástases. Tudo isso deve ser coordenado por um endocrinologista experiente, que entenda as nuances desse diagnóstico.

E se o diagnóstico de CMT for confirmado? O tratamento padrão é cirúrgico: tireoidectomia total com esvaziamento linfonodo cervical. Quanto mais precoce a cirurgia, maiores as chances de cura completa. Após o procedimento, a calcitonina deve cair a níveis indetectáveis — e esse será o marcador que você acompanhará pelo resto da vida.

O carcinoma medular de tireoide é raro, mas não pode ser ignorado. A calcitonina é a chave que abre a porta do diagnóstico precoce — e em medicina, tempo é tudo. Se você tem nódulo de tireoide, histórico familiar de CMT, ou sintomas inexplicáveis como diarreia crônica associada a alterações cervicais, esse é um exame que merece estar no seu radar.

A diferença entre um diagnóstico em estágio inicial e um diagnóstico tardio pode ser medida em anos de vida — e qualidade de vida. E tudo começa com um simples exame de sangue que a maioria dos médicos esquece de pedir.

Tem dúvidas sobre nódulos de tireoide ou precisa investigar seus níveis hormonais?

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