Você já se perguntou por que algumas mulheres passam pela menstruação sem grandes incômodos enquanto você precisa cancelar compromissos, tomar analgésicos em doses cavalares e passar o dia encolhida com uma bolsa térmica na barriga? A resposta pode estar em algo surpreendentemente simples: a deficiência de magnésio.
Aqui está o que poucos te contam: a cólica menstrual intensa — tecnicamente chamada de dismenorreia — não é apenas “parte de ser mulher”. É um sinal de que algo está desequilibrado. E o magnésio desempenha um papel central nesse processo, muito além do que você imagina.
O que realmente causa aquela cólica que te paralisa
Pense no útero como um músculo que precisa se contrair para eliminar o revestimento menstrual. Até aqui, tudo normal. O problema começa quando seu corpo produz prostaglandinas em excesso — substâncias inflamatórias que intensificam essas contrações a ponto de comprometer o fluxo sanguíneo local.
É como apertar uma mangueira enquanto a água ainda está passando. O resultado? Dor intensa, câimbras e aquela sensação de que seu útero está sendo espremido. Estudos mostram que mulheres com dismenorreia severa têm níveis de prostaglandinas até 3 vezes maiores que aquelas sem sintomas.
E aqui entra o magnésio: ele atua como um regulador natural dessas contrações musculares e um modulador da produção de prostaglandinas inflamatórias. Quando você está deficiente nesse mineral, seu útero fica hipersensível e hiperativo.

Por que você provavelmente está deficiente em magnésio
Cerca de 75% das mulheres não atingem a recomendação diária de magnésio. E não é por falta de tentativa — é porque o estilo de vida moderno conspira contra você.
O estresse crônico queima magnésio como combustível. Cada pico de cortisol consome suas reservas. O consumo de cafeína, álcool e alimentos processados aumenta a excreção do mineral pela urina. Até mesmo o uso prolongado de anticoncepcionais pode reduzir seus níveis.
Mas tem mais: durante a fase lútea do seu ciclo menstrual — aqueles 14 dias antes da menstruação — a demanda por magnésio aumenta naturalmente. Se você já está no limite, é nesse momento que os sintomas explodem.
Como o magnésio age além do alívio da cólica
O magnésio não é apenas um relaxante muscular. Ele participa de mais de 300 reações bioquímicas no seu corpo, muitas delas diretamente relacionadas ao equilíbrio hormonal e à resposta inflamatória.
Primeiro, ele regula a entrada de cálcio nas células musculares. Pense no cálcio como o acelerador das contrações e no magnésio como o freio. Sem magnésio suficiente, o cálcio domina — e seu útero contrai sem controle.
Segundo, o magnésio reduz a síntese de prostaglandinas inflamatórias (PGE2 e PGF2α) e favorece as anti-inflamatórias. É como trocar o combustível que alimenta a dor.
Terceiro, ele melhora a sensibilidade à insulina e reduz a inflamação sistêmica — dois fatores que, quando desregulados, intensificam a TPM e os sintomas menstruais.
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O que a ciência diz sobre magnésio e dismenorreia
Pesquisas clínicas demonstram que a suplementação de magnésio reduz significativamente a intensidade da cólica menstrual. Um estudo com 180 mulheres mostrou que 300mg de magnésio por dia, iniciados 7 dias antes da menstruação, reduziram a dor em até 40% após três ciclos.
Outro estudo comparou magnésio com ibuprofeno e descobriu que, embora o anti-inflamatório aja mais rápido, o magnésio oferece benefícios cumulativos — ou seja, quanto mais você usa, melhor fica. E sem os efeitos colaterais gastrointestinais dos analgésicos.
Curioso como isso funciona, não é? O magnésio não mascara a dor — ele corrige o desequilíbrio que a causa.
Protocolos práticos: como usar magnésio estrategicamente
Nem todo magnésio é igual. A forma e a dose fazem toda a diferença.
Formas mais biodisponíveis:
O magnésio glicinato é a escolha preferida para dismenorreia porque combina magnésio com glicina, um aminoácido calmante que potencializa o efeito relaxante muscular. É bem tolerado e raramente causa desconforto intestinal.
O magnésio treonato tem excelente absorção cerebral, sendo útil quando a cólica vem acompanhada de ansiedade e irritabilidade intensa.
O magnésio citrato é eficaz, mas pode ter efeito laxativo em doses maiores — o que pode ser vantajoso se você sofre com constipação pré-menstrual.
Protocolo sugerido:
Comece com 300-400mg de magnésio glicinato por dia, preferencialmente à noite (ele melhora o sono, outro fator que influencia a percepção da dor). Inicie 7-10 dias antes da menstruação esperada e mantenha durante o período menstrual.
Para casos mais severos, a dose pode ser dividida: 200mg pela manhã e 200mg à noite. Sempre acompanhado de alimentação para melhor absorção.
Sinergia com outros nutrientes:
O magnésio funciona ainda melhor quando combinado com vitamina B6 (50-100mg/dia), que também reduz prostaglandinas inflamatórias, e ômega-3 (1-2g/dia), que compete com o ácido araquidônico na produção de prostaglandinas.
Na Clínica Rigatti, personalizamos esses protocolos com base em exames que avaliam seus níveis reais de magnésio, inflamação e equilíbrio hormonal.
Quando a cólica exige investigação mais profunda
O magnésio é poderoso, mas não é mágico. Se suas cólicas são incapacitantes — a ponto de você faltar ao trabalho ou precisar de analgésicos potentes — pode haver condições subjacentes que precisam ser tratadas.
Endometriose, adenomiose, miomas e reações ao DIU de cobre são causas estruturais de dismenorreia secundária. Nesses casos, o magnésio ajuda, mas não resolve sozinho.
Desequilíbrios hormonais — como excesso de estrogênio em relação à progesterona — também intensificam a produção de prostaglandinas. Investigar a metabolização do estrogênio pode revelar a raiz do problema.
Sinais de que você precisa investigar além:
Cólicas que pioram progressivamente a cada ciclo. Dor que não responde a analgésicos comuns. Sangramento excessivo ou irregular. Dor durante relações sexuais ou ao evacuar durante a menstruação.

A cólica não precisa ser sua companheira mensal
A dismenorreia intensa não é normal, mesmo que seja comum. Quando você entende que a cólica é um sintoma de desequilíbrio — seja nutricional, hormonal ou inflamatório — você ganha o poder de agir na causa, não apenas no efeito.
O magnésio é uma ferramenta poderosa nesse processo. Ele não apenas relaxa o músculo uterino, mas modula a inflamação, equilibra a resposta hormonal e melhora sua qualidade de vida de forma mensurável. E o melhor: os benefícios vão muito além da menstruação — sono melhor, menos ansiedade, mais energia.
Mas lembre-se: cada corpo é único. O que funciona para uma mulher pode precisar de ajustes para outra. Conheça os tratamentos da Clínica Rigatti e veja como a medicina personalizada pode transformar seus ciclos.
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