Você já fez exames de sangue esperando encontrar anemia, mas descobriu que sua ferritina está alta — e mesmo assim continua exausta, com cabelo caindo e sem energia para nada? Ou talvez o contrário: sua ferritina está “dentro da normalidade”, mas você sente que algo não está certo?
Aqui está o que poucos te contam: o ferro segue uma curva em U. Tanto a falta quanto o excesso causam os mesmos sintomas — fadiga, queda de cabelo, névoa mental. E o ponto ideal é uma janela estreita que os exames convencionais muitas vezes não capturam.
Entender essa curva pode ser a chave para finalmente recuperar sua energia e interromper aquela queda de cabelo que parece não ter fim.
Por que o ferro é tão importante (e tão problemático)
O ferro é como o combustível das suas células. Ele transporta oxigênio para cada canto do seu corpo através da hemoglobina, participa da produção de energia nas mitocôndrias e é essencial para a síntese de neurotransmissores como a dopamina — aquela que te dá motivação e foco.
Quando você tem ferro de menos, suas células literalmente sufocam. Sem oxigênio suficiente, a produção de energia despenca. Você acorda cansada, seu cabelo enfraquece (os folículos capilares são células de crescimento rápido e extremamente dependentes de ferro), e sua concentração vai embora.
Mas aqui está o problema: ferro demais também é tóxico. O excesso gera radicais livres que danificam suas células, aceleram o envelhecimento e disparam processos inflamatórios crônicos. E a inflamação, por sua vez, faz seu corpo estocar ainda mais ferro como mecanismo de defesa — criando um ciclo vicioso.
Ferritina alta não significa ferro disponível
E aqui vem a parte que confunde até médicos: ferritina alta nem sempre significa que você tem ferro suficiente. A ferritina é uma proteína de armazenamento, mas também é um marcador de inflamação.
Quando seu corpo está inflamado — seja por uma infecção, doença autoimune, resistência à insulina ou até estresse crônico — ele aumenta a ferritina como resposta de defesa. O ferro fica “trancado” dentro das células, inacessível para as funções que realmente importam: transportar oxigênio, produzir energia, manter seus cabelos crescendo.
É como ter dinheiro no banco, mas o cartão bloqueado. Tecnicamente você tem recursos, mas não consegue usá-los.

A curva em U: quando menos e mais causam o mesmo
Pense na relação com o ferro como uma montanha russa em formato de U. Nos dois extremos — ferro muito baixo ou muito alto — você experimenta os mesmos sintomas:
Fadiga persistente: Sem ferro suficiente disponível, suas mitocôndrias não conseguem produzir ATP (a moeda energética das células). Com ferro em excesso, os radicais livres danificam essas mesmas mitocôndrias.
Queda de cabelo: Os folículos capilares precisam de ferro para crescer. Mas o excesso de ferro gera inflamação no couro cabeludo, prejudicando o ciclo de crescimento dos fios.
Névoa mental: Ferro insuficiente compromete a síntese de neurotransmissores. Ferro demais causa neuroinflamação — aquele incêndio silencioso no cérebro que rouba sua clareza mental.
O ponto ideal fica no meio da curva: ferritina entre 50-100 ng/mL para a maioria das pessoas, com saturação de transferrina equilibrada. Mas esse número pode variar dependendo do seu contexto individual.
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Quando a suplementação resolve (e quando piora tudo)
Aqui está o erro mais comum: suplementar ferro sem investigar a causa raiz. Se sua ferritina está baixa por deficiência real — menstruação intensa, dieta restritiva, má absorção intestinal — a suplementação faz sentido e pode transformar sua energia em semanas.
Mas se sua ferritina está baixa porque você tem inflamação crônica que está “sequestrando” o ferro, suplementar pode piorar o quadro. Você estará jogando mais combustível em um incêndio que já está fora de controle.
E se sua ferritina já está alta? Suplementar ferro pode ser perigoso. O excesso se acumula no fígado, pâncreas e coração, aumentando o risco de doenças metabólicas e cardiovasculares a longo prazo.
Por isso, a avaliação individualizada das suas reservas de nutrientes é fundamental. Não existe protocolo único — existe o protocolo certo para o seu corpo, neste momento.

O que realmente importa nos seus exames
Para entender sua relação com o ferro, você precisa de mais do que apenas hemoglobina e ferritina. O painel completo inclui:
Ferritina: Mostra suas reservas, mas lembre-se que valores acima de 150 ng/mL podem indicar inflamação, não abundância.
Saturação de transferrina: Revela quanto ferro está realmente circulando e disponível para uso. Valores abaixo de 20% indicam deficiência funcional, mesmo com ferritina “normal”.
Hemoglobina e hematócrito: Quando já estão baixos, a anemia está instalada — mas os sintomas começam muito antes disso.
Marcadores inflamatórios: PCR (proteína C-reativa) e VHS ajudam a diferenciar se sua ferritina alta é estoque real ou resposta inflamatória.
Na Clínica Rigatti, cruzamos esses dados com seus sintomas, histórico menstrual, padrão alimentar e outros marcadores hormonais para entender o quadro completo — não apenas um número isolado.
Estratégias para encontrar seu ponto ideal
Se você está no lado baixo da curva — ferritina abaixo de 30 ng/mL, sintomas claros de deficiência — a reposição orientada faz sentido. Mas não é só tomar qualquer suplemento: a forma do ferro importa (bisglicinato é melhor tolerado), o timing importa (longe de café, chá e cálcio), e a dose importa (excesso causa constipação e náusea).
Se você está no lado alto da curva — ferritina acima de 150 ng/mL com inflamação — o foco muda completamente. Aqui, você precisa tratar a inflamação de base: investigar resistência à insulina, sensibilidades alimentares, disbiose intestinal, estresse crônico. Às vezes, doar sangue periodicamente ajuda a reduzir o excesso de forma segura.
E se você está no meio, mas ainda sintomática? Pode ser que sua ferritina esteja “ok” numericamente, mas seu corpo não está conseguindo mobilizar esse ferro de forma eficiente. Cofatores como cobre, vitamina A e vitaminas do complexo B são essenciais para o metabolismo do ferro — e muitas vezes estão deficientes.

O ferro não é vilão nem herói — ele é um nutriente que precisa estar em equilíbrio. E esse equilíbrio é dinâmico, muda com suas fases de vida, seu ciclo menstrual, seu nível de estresse, sua alimentação. Não existe um número mágico que funcione para todas as pessoas em todos os momentos.
O que existe é a possibilidade de investigar a fundo, entender o que seu corpo está tentando dizer através dos sintomas e dos exames, e ajustar com precisão. Quando você encontra seu ponto ideal na curva, a energia volta, o cabelo para de cair, a névoa mental se dissipa. Seu corpo finalmente recebe o que precisa — nem mais, nem menos.
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