Você já ouviu que jejum emagrece, mas ficou com aquela dúvida incômoda: “E se eu perder músculo junto com a gordura?” Essa preocupação não é infundada. Afinal, você treina pesado, se esforça para construir cada grama de massa magra — e a última coisa que quer é ver seu trabalho desaparecer por uma estratégia nutricional mal aplicada.
Aqui está a verdade que poucos te contam: o jejum pode ser uma ferramenta poderosa para queima de gordura, mas quando combinado com treino de força sem os cuidados certos, ele pode sim comprometer seus músculos. A boa notícia? Com o protocolo adequado, você pode colher os benefícios metabólicos do jejum sem sacrificar sua composição corporal.
O que realmente acontece com seus músculos durante o jejum
Quando você fica sem comer por períodos prolongados, seu corpo precisa encontrar energia em algum lugar. E aqui está o ponto crítico: ele não escolhe automaticamente a gordura como combustível. Na verdade, nas primeiras horas de jejum, seu organismo recorre aos estoques de glicogênio (carboidratos armazenados). Quando esses se esgotam, ele tem duas opções: queimar gordura ou quebrar proteína muscular.
O que determina essa escolha? Principalmente seus níveis hormonais. Durante o jejum, hormônios como cortisol aumentam para mobilizar energia — e em excesso, ele pode sinalizar ao corpo para catabolizar músculo. Por outro lado, o hormônio do crescimento (GH) também se eleva, o que ajuda a preservar massa magra e estimular a queima de gordura.
O equilíbrio entre esses hormônios — e como você estrutura seu treino e alimentação — faz toda a diferença entre perder gordura com saúde ou sacrificar músculos no processo.

Por que treinar em jejum pode ser uma armadilha (se feito errado)
Treinar em jejum virou moda, especialmente para quem busca acelerar a queima de gordura. E sim, estudos mostram que exercícios em jejum podem aumentar a oxidação de gordura durante a atividade. Mas aqui está o problema: se você faz treino de força intenso sem combustível adequado, seu corpo pode recorrer às proteínas musculares como fonte de energia.
Pense assim: seu músculo é como um ativo valioso que seu corpo só “vende” quando realmente precisa. Se você treina pesado em jejum prolongado, sem reservas energéticas suficientes, você está forçando essa venda. O resultado? Perda de massa magra, queda de performance e recuperação comprometida.
Além disso, o treino de força em jejum pode reduzir a síntese proteica muscular — o processo que constrói e repara suas fibras musculares. Sem aminoácidos circulantes no sangue, seu corpo simplesmente não tem os tijolos necessários para reconstruir o que foi quebrado durante o treino.
Esse é exatamente o tipo de desequilíbrio que investigamos na Clínica Rigatti, com protocolos que consideram seu perfil hormonal, composição corporal e objetivos individuais.
O timing que preserva músculo e queima gordura
A chave não está em abandonar o jejum, mas em aplicá-lo de forma estratégica. Aqui está o que realmente funciona:
Janela de alimentação pós-treino: Se você treina de manhã em jejum, quebre o jejum logo após o treino com uma refeição rica em proteínas e carboidratos. Esse é o momento em que seus músculos estão mais receptivos a nutrientes — a famosa “janela anabólica” que, embora não seja tão curta quanto se pensava, ainda é crucial para recuperação.
Jejum nos dias de descanso: Uma estratégia inteligente é aplicar jejuns mais longos nos dias sem treino intenso. Assim, você aproveita os benefícios metabólicos do jejum (autofagia, sensibilidade à insulina, queima de gordura) sem comprometer a recuperação muscular.
Proteína antes do treino: Se você prefere treinar pela manhã, considere consumir uma fonte de proteína de rápida absorção (como whey protein ou aminoácidos essenciais) 30-60 minutos antes. Isso fornece aminoácidos circulantes sem quebrar completamente os benefícios metabólicos do jejum.
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Hormônios que decidem se você constrói ou perde músculo
Seu corpo não funciona no vácuo — ele responde a sinais hormonais complexos. E quando falamos de preservar massa magra durante o jejum, três hormônios merecem atenção especial:
IGF-1 (Fator de Crescimento Semelhante à Insulina): Esse hormônio anabólico decide se você constrói músculo ou perde firmeza. Jejuns muito prolongados podem reduzir IGF-1, comprometendo a síntese proteica. Por isso, ciclar entre períodos de jejum e alimentação adequada é fundamental.
Cortisol: O hormônio do estresse tem má reputação, mas ele é essencial para mobilizar energia durante o jejum. O problema surge quando os níveis permanecem cronicamente elevados — seja por jejuns muito longos, treinos excessivos ou estresse emocional. Cortisol alto demais por tempo demais sinaliza ao corpo para quebrar músculo.
Testosterona: Fundamental para construção e manutenção muscular, a testosterona pode ser afetada negativamente por déficits calóricos severos combinados com treino intenso. Manter uma ingestão proteica adequada e não prolongar jejuns além do necessário ajuda a preservar níveis saudáveis.
A interação entre esses hormônios determina sua composição corporal — e é por isso que protocolos genéricos raramente funcionam para todos.
A proteína que você não pode negligenciar
Se há uma regra de ouro para preservar massa magra durante o jejum, é esta: não comprometa sua ingestão proteica total diária. Mesmo que você concentre suas refeições em uma janela menor, a quantidade absoluta de proteína precisa ser mantida.
Estudos mostram que para preservar massa muscular em déficit calórico (que muitas vezes acompanha protocolos de jejum), você precisa de 1,6 a 2,2 gramas de proteína por quilo de peso corporal. Para alguém de 70kg, isso significa 112 a 154 gramas de proteína por dia — distribuídas em 2-3 refeições dentro da sua janela de alimentação.
E aqui está um detalhe importante: a qualidade da proteína importa. Fontes ricas em leucina (um aminoácido essencial) são especialmente eficazes para estimular a síntese proteica muscular. Carnes magras, ovos, whey protein e laticínios são excelentes opções.
Uma estratégia interessante para quem treina à noite é incluir caseína antes de dormir, uma proteína de digestão lenta que fornece aminoácidos ao longo da noite, reduzindo o catabolismo durante o sono.
Sinais de que você está perdendo músculo (e não apenas gordura)
Como saber se seu protocolo de jejum está funcionando ou sabotando seus ganhos? Seu corpo dá sinais claros:
Queda de performance: Se você nota que suas cargas no treino estão caindo consistentemente, isso pode indicar perda de massa muscular ou recuperação inadequada.
Fadiga persistente: Cansaço extremo, especialmente após treinos, pode sinalizar que você está em déficit energético muito severo.
Perda de peso muito rápida: Perder mais de 0,5-1% do peso corporal por semana aumenta significativamente o risco de perda muscular junto com a gordura.
Mudanças na composição corporal: Se você está perdendo peso mas não vê mudanças na definição muscular ou nota que está ficando “flácido”, pode estar perdendo músculo.
A avaliação precisa da composição corporal — não apenas o peso na balança — é fundamental para ajustar protocolos e garantir que você está no caminho certo.

O jejum não é vilão nem herói — é uma ferramenta. E como qualquer ferramenta, seus resultados dependem de como você a usa. Quando aplicado com inteligência, respeitando suas necessidades proteicas, timing de treino e sinais hormonais, o jejum pode acelerar a queima de gordura enquanto preserva (ou até constrói) massa magra.
Mas aqui está o ponto crucial: não existe protocolo universal. Seu corpo responde de forma única baseado em genética, histórico metabólico, níveis hormonais e estilo de vida. O que funciona para seu colega de academia pode não funcionar para você — e tentar forçar um protocolo inadequado pode custar meses de progresso.
Na Clínica Rigatti, combinamos avaliação hormonal detalhada, análise de composição corporal e acompanhamento contínuo para criar estratégias que realmente se encaixam na sua realidade. Porque preservar massa magra enquanto emagrece não deveria ser um jogo de adivinhação.
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