Você já ouviu seu médico mencionar “progesterona” e “progestina” como se fossem a mesma coisa? Aqui está o que poucos te contam: essas duas substâncias podem ter nomes parecidos, mas agem no seu corpo de formas completamente diferentes. E essa diferença pode explicar por que algumas mulheres se sentem bem na reposição hormonal enquanto outras enfrentam efeitos colaterais que as fazem desistir do tratamento.
A confusão é compreensível. Ambas são usadas na terapia de reposição hormonal (HRT) para equilibrar os níveis de progesterona — o hormônio que prepara o útero, regula o ciclo menstrual e protege contra o crescimento excessivo do endométrio. Mas a forma como cada uma interage com seus receptores hormonais faz toda a diferença entre sentir-se equilibrada ou lidar com inchaço, alterações de humor e outros sintomas indesejados.
Vamos desvendar essa diferença de uma vez por todas.
O que é progesterona micronizada (e por que “micronizada” importa)
Pense na progesterona micronizada como uma cópia fiel do hormônio que seu próprio corpo produz. Ela é chamada de “bioidêntica” justamente por isso: sua estrutura molecular é idêntica à progesterona natural produzida pelos seus ovários.
O termo “micronizada” se refere ao processo de transformar a progesterona em partículas minúsculas para melhorar sua absorção pelo organismo. Sem essa tecnologia, a progesterona seria rapidamente metabolizada pelo fígado antes de exercer seus efeitos — um problema que os cientistas resolveram com engenhosidade.
Quando você toma progesterona micronizada, seu corpo a reconhece como se fosse produzida por ele mesmo. Ela se encaixa perfeitamente nos receptores de progesterona, ativando apenas as vias que esse hormônio deveria ativar naturalmente.
E aqui está o ponto crucial: por ser idêntica ao hormônio natural, ela não interfere em outros sistemas hormonais. Ela faz seu trabalho — proteger o endométrio, regular o ciclo, promover o sono, acalmar o sistema nervoso — sem causar os efeitos colaterais típicos das versões sintéticas.
Progestinas: as versões sintéticas que mudaram o jogo (para o bem e para o mal)
Agora vamos às progestinas. Essas são versões sintéticas criadas em laboratório para imitar alguns efeitos da progesterona natural. Elas foram desenvolvidas décadas atrás, quando a tecnologia para produzir hormônios bioidênticos ainda não existia ou era economicamente inviável.
O problema? Ao modificar a estrutura molecular para tornar essas substâncias mais estáveis e biodisponíveis, os cientistas criaram moléculas que não se encaixam perfeitamente nos receptores de progesterona. É como tentar usar uma chave parecida, mas não idêntica, em uma fechadura — ela pode até funcionar, mas também pode ativar outras fechaduras que não deveria.
As progestinas mais comuns incluem acetato de medroxiprogesterona (MPA), noretisterona e drospirenona. Cada uma tem um perfil diferente de efeitos, mas todas compartilham uma característica: além de se ligarem aos receptores de progesterona, elas também podem interagir com receptores de outros hormônios, como andrógenos (hormônios masculinos) e glicocorticoides (relacionados ao cortisol).

Essa “conversa cruzada” com outros receptores explica muitos dos efeitos colaterais que mulheres relatam: retenção de líquidos, ganho de peso, alterações de humor, acne e até redução da libido. Não é que você seja “sensível demais” — é que a molécula está ativando vias que não deveria.
Perfil de efeitos: o que muda na prática
Quando comparamos os perfis de efeitos, as diferenças ficam ainda mais claras. Estudos mostram que a progesterona micronizada tem um perfil de tolerabilidade significativamente melhor, especialmente em relação a sintomas como inchaço, sensibilidade mamária e alterações de humor.
A progesterona natural tem propriedades ansiolíticas — ou seja, ela acalma o sistema nervoso. Isso acontece porque ela é convertida em alopregnanolona, um metabólito que age nos receptores GABA do cérebro, os mesmos que medicamentos ansiolíticos ativam. Por isso, muitas mulheres relatam melhora do sono e redução da ansiedade com a progesterona micronizada.
Já as progestinas não produzem esse metabólito da mesma forma. Algumas, como o acetato de medroxiprogesterona, podem até ter efeito oposto, contribuindo para irritabilidade e alterações de humor — sintomas que muitas mulheres descrevem como “TPM o mês inteiro”.
Na Clínica Rigatti, esse tipo de diferenciação é fundamental para personalizar protocolos que realmente funcionam para cada mulher.
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Segurança cardiovascular e metabólica: onde a ciência é clara
Aqui está onde a diferença se torna ainda mais importante: a segurança a longo prazo. Quando falamos de reposição hormonal, não estamos pensando apenas em aliviar sintomas hoje — estamos considerando o impacto na sua saúde cardiovascular, metabólica e cognitiva nas próximas décadas.
Estudos europeus, especialmente o estudo francês E3N que acompanhou mais de 80 mil mulheres, mostraram que a progesterona micronizada não aumenta o risco de eventos cardiovasculares quando combinada com estrogênio. Já algumas progestinas sintéticas, particularmente o acetato de medroxiprogesterona, foram associadas a um pequeno aumento no risco de trombose e eventos cardíacos.
A diferença está na forma como cada molécula afeta o metabolismo lipídico e a função endotelial — o revestimento interno dos vasos sanguíneos. A progesterona natural tende a ser neutra ou até benéfica para o perfil lipídico, enquanto algumas progestinas podem reduzir o HDL (o “colesterol bom”) e aumentar marcadores inflamatórios.

Isso não significa que progestinas sejam sempre perigosas ou inadequadas. Significa que a escolha deve ser individualizada, considerando seu histórico pessoal, fatores de risco e objetivos de tratamento.
Tolerabilidade no dia a dia: o que as mulheres realmente sentem
Vamos ao que realmente importa: como você se sente no dia a dia. Porque dados de estudos são importantes, mas a experiência vivida é o que determina se você vai continuar ou abandonar o tratamento.
Com progesterona micronizada, a maioria das mulheres relata:
Melhora da qualidade do sono, especialmente se tomada à noite. Redução da ansiedade e sensação de calma sem sedação excessiva. Menos inchaço e retenção de líquidos comparado às progestinas. Manutenção ou até melhora da libido, já que não há interferência androgênica negativa.
O principal efeito colateral? Sonolência, especialmente nas primeiras semanas. Por isso, a recomendação é tomar à noite, transformando esse “efeito colateral” em benefício para o sono.
Já com progestinas, o perfil varia muito conforme o tipo específico. Algumas mulheres toleram bem, outras relatam inchaço persistente, ganho de peso (especialmente na região abdominal), alterações de humor e redução da libido. Esses sintomas podem ser sutis no início, mas tendem a se acumular ao longo dos meses.
Curioso como a mesma classe de medicamento pode ter efeitos tão diferentes, não é? É por isso que a medicina personalizada faz toda a diferença.
Quando cada uma é indicada (e por quê)
Então, se a progesterona micronizada tem um perfil tão superior, por que ainda usamos progestinas? A resposta está na individualização e em situações clínicas específicas.
A progesterona micronizada é geralmente a primeira escolha para mulheres em reposição hormonal na menopausa, especialmente quando o objetivo é aliviar sintomas vasomotores (fogachos), melhorar o sono e proteger o endométrio com o mínimo de efeitos colaterais. Ela é particularmente indicada para mulheres com histórico de ansiedade, insônia ou sensibilidade a alterações de humor.
As progestinas ainda têm seu lugar em situações específicas: contracepção (onde a supressão da ovulação é desejada), tratamento de endometriose ou adenomiose (onde doses mais altas e efeito antiproliferativo potente são necessários), ou em casos onde a via oral de progesterona micronizada não é bem absorvida ou tolerada.
Algumas progestinas mais modernas, como a drospirenona, têm perfil mais favorável por sua ação antimineralocorticoide (reduz retenção de líquidos) e são bem toleradas por muitas mulheres. A chave é entender que não existe “melhor” absoluto — existe o mais adequado para você, neste momento, considerando seus sintomas, objetivos e histórico.

A diferença entre progesterona micronizada e progestinas não é apenas técnica — ela se traduz em como você se sente todos os dias. Quando seu tratamento hormonal é escolhido com base na compreensão profunda dessas diferenças, levando em conta sua bioquímica individual e não apenas protocolos genéricos, a reposição hormonal deixa de ser uma loteria de efeitos colaterais e se torna uma ferramenta poderosa de restauração do equilíbrio.
Na Clínica Rigatti, essa personalização é o centro de cada protocolo. Porque você merece uma reposição hormonal que funcione com seu corpo, não contra ele.
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