Pessoa preocupada analisando resultado de exame de colesterol com LDL elevado após iniciar dieta low carb

Você começou uma dieta low carb, está se sentindo melhor do que nunca, perdeu peso, ganhou energia — e então vem o exame de sangue. Seu LDL subiu. O médico franze a testa, menciona estatinas, e você fica ali, confuso: “Mas eu estou comendo comida de verdade, me sentindo ótimo… o que está acontecendo?”

Aqui está o que poucos te contam: o LDL sozinho não conta a história completa. Na verdade, ele pode estar mentindo sobre seu verdadeiro risco cardiovascular. E quando você entende os bastidores do metabolismo lipídico, percebe que existem marcadores muito mais precisos que deveriam estar no seu radar.

Por que o LDL sobe em algumas pessoas na low carb

Quando você reduz drasticamente os carboidratos, seu corpo passa por uma reorganização metabólica profunda. Ele deixa de queimar glicose como combustível primário e passa a mobilizar gordura — tanto a que você come quanto a que está armazenada.

Pense nisso como uma mudança de combustível: seu corpo está literalmente transportando mais gordura pelo sangue para usar como energia. Esse trânsito aumentado de lipídios pode elevar temporariamente o LDL, especialmente se você está emagrecendo ativamente. É como se houvesse mais “caminhões de entrega” circulando porque a demanda energética mudou.

Mas aqui vem a parte interessante: nem todo LDL é criado igual. E é aí que a maioria dos exames convencionais falha.

O problema com o LDL tradicional (e por que ele pode estar te enganando)

O valor de LDL que aparece no seu exame geralmente é calculado, não medido diretamente. Ele usa uma fórmula antiga chamada equação de Friedewald, que assume uma relação fixa entre triglicerídeos e outras partículas. Quando seus triglicerídeos estão baixos — como costuma acontecer em dietas low carb bem formuladas — essa equação perde precisão.

Mais importante ainda: o LDL total não distingue entre partículas grandes e fofas (padrão A) e partículas pequenas e densas (padrão B). As pequenas e densas são as verdadeiras vilãs — elas penetram mais facilmente na parede arterial e causam inflamação. Você pode ter LDL alto com partículas grandes e seguras, ou LDL “normal” com partículas pequenas e perigosas.

Comparação visual entre partículas LDL grandes e seguras versus pequenas e densas, ilustrando a diferença entre padrão A e padrão B

É como comparar bolas de praia com bolinhas de gude: ambas são “bolas”, mas se comportam de forma completamente diferente quando tentam passar por um espaço apertado.

ApoB: o marcador que você deveria estar pedindo

Aqui está o exame que muda o jogo: Apolipoproteína B, ou ApoB. Cada partícula aterogênica (capaz de entupir artérias) — seja LDL, VLDL ou Lp(a) — carrega exatamente uma molécula de ApoB. Então, quando você mede ApoB, está contando diretamente o número de partículas potencialmente perigosas circulando no seu sangue.

Não importa se são grandes ou pequenas. Não importa quanto colesterol cada uma carrega. O que importa é: quantas partículas capazes de causar aterosclerose você tem?

Estudos mostram que ApoB é um preditor de risco cardiovascular superior ao LDL, especialmente em pessoas com síndrome metabólica ou resistência à insulina — justamente o perfil de muitas pessoas que buscam dietas low carb.

Esse é exatamente o tipo de investigação que fazemos na Clínica Rigatti, indo além dos marcadores convencionais para entender o que realmente está acontecendo no seu metabolismo.

Quer saber se seus lipídios estão realmente saudáveis além do LDL? Converse com nossos especialistas e descubra quais exames fazem sentido para você.

A relação TG/HDL: sua bússola metabólica

Enquanto você espera o resultado da ApoB, existe um cálculo simples que você pode fazer agora mesmo com seu exame atual: divida seus triglicerídeos pelo HDL. Essa relação TG/HDL é um dos melhores indicadores de saúde metabólica que você pode ter.

Idealmente, você quer uma relação abaixo de 2 (usando valores em mg/dL). Quanto menor, melhor. Uma relação baixa indica que você tem predominantemente partículas LDL grandes e seguras, boa sensibilidade à insulina e baixo risco cardiovascular — mesmo que seu LDL total esteja elevado.

Aqui está o padrão típico de alguém metabolicamente saudável em low carb:

Triglicerídeos baixos (abaixo de 100 mg/dL), HDL alto (acima de 50 mg/dL para mulheres, 40 mg/dL para homens), e uma relação TG/HDL excelente. Se você tem esse perfil, mesmo com LDL elevado, seu risco real provavelmente é muito menor do que os números sugerem à primeira vista.

Pessoa desfrutando de refeição low carb balanceada com gorduras saudáveis que promovem perfil lipídico ideal com triglicerídeos baixos e HDL alto

Quando o LDL alto realmente é preocupante

Nem todo LDL elevado em low carb é benigno. Existem situações que merecem atenção especial e investigação mais profunda.

Se seu LDL disparou acima de 200 mg/dL e permanece assim por meses, especialmente se acompanhado de triglicerídeos elevados (acima de 150 mg/dL) ou HDL baixo (abaixo de 40 mg/dL), isso pode indicar uma hipercolesterolemia familiar ou outro distúrbio lipídico que precisa ser avaliado.

Outro marcador crucial é a Lipoproteína(a), ou Lp(a). Essa é uma partícula geneticamente determinada que aumenta significativamente o risco cardiovascular e não responde bem a mudanças dietéticas. Se você tem Lp(a) elevada (acima de 30 mg/dL), precisa ser ainda mais criterioso com outros fatores de risco.

E aqui está algo que muitos ignoram: o contexto inflamatório importa. LDL elevado em um corpo cronicamente inflamado (marcado por proteína C reativa alta, por exemplo) é muito mais perigoso do que LDL elevado em alguém com baixa inflamação sistêmica.

O que fazer se seu LDL subiu na low carb

Primeiro, respire fundo. Um único exame alterado não define seu destino cardiovascular. Aqui está uma abordagem sensata:

Peça os exames certos. Além do lipidograma básico, solicite ApoB, Lp(a), proteína C reativa ultrassensível e, se possível, um perfil de partículas de LDL (como o NMR LipoProfile). Esses exames revelam o que realmente está acontecendo além da superfície.

Avalie seu contexto metabólico completo. Como estão seus triglicerídeos? Seu HDL? Sua glicemia de jejum e hemoglobina glicada? Sua pressão arterial? Seu peso corporal? Se todos esses marcadores melhoraram dramaticamente com a low carb, um LDL isoladamente elevado pode não ser tão preocupante.

Considere ajustes na dieta. Algumas pessoas se beneficiam de modular o tipo de gordura consumida — aumentando gorduras monoinsaturadas (azeite, abacate) e ômega-3 (peixes gordos), enquanto reduzem um pouco as saturadas. Isso pode normalizar o LDL sem abandonar a low carb.

Não ignore outros fatores de risco. Exercício regular, sono de qualidade, controle do estresse, não fumar — esses fatores modificam profundamente seu risco cardiovascular, independentemente do LDL.


Site Clínica Rigatti

O perfil lipídico não é uma sentença, é uma fotografia. E como toda fotografia, precisa ser interpretada no contexto certo. Quando você entende que ApoB conta a história real, que a relação TG/HDL revela sua saúde metabólica, e que o LDL sozinho pode estar te enganando, você ganha o poder de tomar decisões informadas sobre sua saúde.

A low carb pode ser uma ferramenta poderosa de transformação metabólica. Mas como qualquer intervenção potente, ela merece monitoramento inteligente — não apenas olhando números isolados, mas entendendo o panorama completo do que está acontecendo no seu corpo. Conheça os protocolos personalizados da Clínica Rigatti que avaliam cada marcador no contexto da sua história única.

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