Você toma remédio para pressão alta há anos, mas os números insistem em não cooperar? Ou pior: precisa de três, quatro medicamentos diferentes para manter a hipertensão minimamente controlada? Aqui está algo que poucos médicos investigam: em até 10% dos casos de pressão alta, o vilão não está no coração ou nos vasos — está nas glândulas adrenais, produzindo aldosterona em excesso.
Essa condição tem nome: Síndrome de Conn, ou hiperaldosteronismo primário. E o mais preocupante é que ela passa despercebida na maioria das vezes, disfarçada de hipertensão comum enquanto silenciosamente danifica rins, coração e vasos sanguíneos.
Vamos entender quando suspeitar desse diagnóstico e por que ele muda completamente a forma como você deve tratar sua pressão alta.
O que é a Síndrome de Conn e por que ela importa
Imagine suas glândulas adrenais — dois pequenos órgãos em formato de triângulo que ficam sobre os rins — como fábricas de hormônios. Uma das substâncias que elas produzem é a aldosterona, o hormônio silencioso que controla o equilíbrio entre sódio e potássio no seu corpo.
Quando tudo funciona bem, a aldosterona age como um maestro: retém sódio quando você precisa, elimina potássio quando necessário, e mantém sua pressão arterial estável. Mas na Síndrome de Conn, esse sistema sai do controle. As adrenais começam a produzir aldosterona demais — seja por um pequeno tumor benigno (adenoma) ou por hiperplasia bilateral (crescimento excessivo do tecido).
O resultado? Seu corpo retém sódio e água em excesso, enquanto perde potássio pela urina. A pressão sobe, os rins sofrem, e você pode desenvolver arritmias cardíacas sem entender o porquê.

Os sinais que seu corpo está gritando (mas você não está ouvindo)
Aqui está o problema: a maioria das pessoas com Síndrome de Conn não sente nada de específico. A hipertensão é silenciosa, e os sintomas — quando aparecem — são vagos o suficiente para serem ignorados.
Mas existem pistas importantes:
Pressão alta resistente. Você toma dois, três ou mais anti-hipertensivos e os números continuam teimosos? Esse é o sinal vermelho mais importante. Estudos mostram que entre pacientes com hipertensão resistente, até 20% têm hiperaldosteronismo primário.
Potássio baixo sem explicação. Se seus exames mostram hipocalemia (potássio abaixo de 3,5 mEq/L) e você não usa diuréticos, suas adrenais merecem investigação. Mas atenção: cerca de 60% das pessoas com Conn têm potássio normal — então a ausência desse sinal não descarta o diagnóstico.
Fraqueza muscular e câimbras frequentes. Quando o potássio cai muito, seus músculos reclamam. Você pode sentir fraqueza inexplicável, câimbras que aparecem do nada, ou até formigamentos.
Sede excessiva e micção frequente. O excesso de aldosterona bagunça o equilíbrio de eletrólitos, fazendo seus rins trabalharem mais. Resultado: você bebe mais água e vai ao banheiro com mais frequência, especialmente à noite.
Esse é exatamente o tipo de desequilíbrio que investigamos na Clínica Rigatti, cruzando sintomas, exames e histórico para encontrar a causa raiz da hipertensão.
Quando seu médico deveria investigar Conn
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia recomenda rastreamento para hiperaldosteronismo primário em situações específicas. Se você se encaixa em alguma delas, vale a conversa com seu médico:
Hipertensão resistente: pressão que não se controla com três medicamentos em doses adequadas (incluindo um diurético).
Hipertensão grave: pressão sistólica acima de 160 mmHg ou diastólica acima de 100 mmHg.
Hipertensão + potássio baixo: especialmente se a hipocalemia é espontânea (não causada por diuréticos).
Hipertensão + achado incidental na adrenal: se um exame de imagem (tomografia, ressonância) mostrou um nódulo na glândula adrenal.
Hipertensão precoce: pressão alta antes dos 40 anos, sem fatores de risco óbvios como obesidade ou histórico familiar forte.
Histórico familiar de Conn: se alguém na sua família teve o diagnóstico, seu risco aumenta.
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Como funciona a investigação diagnóstica
Diagnosticar Síndrome de Conn não é tão simples quanto pedir um exame de sangue comum. O processo envolve etapas específicas que avaliam tanto os níveis hormonais quanto a resposta do seu corpo.
Primeira etapa: a relação aldosterona/renina. Esse é o exame de rastreamento. Você coleta sangue pela manhã (idealmente após duas horas acordado, sentado) para medir aldosterona e renina. Na Síndrome de Conn, a aldosterona está alta enquanto a renina está suprimida — o corpo tenta frear a produção, mas as adrenais não obedecem.
Uma relação aldosterona/renina acima de 30-40 (dependendo do laboratório) levanta a suspeita. Mas atenção: vários medicamentos interferem nesse exame. Anti-hipertensivos como espironolactona, amilorida e inibidores da ECA precisam ser suspensos semanas antes, sempre sob orientação médica.
Segunda etapa: testes confirmatórios. Se o rastreamento der positivo, você precisa de um teste confirmatório. Os mais usados são o teste de sobrecarga salina (você recebe soro fisiológico endovenoso e mede-se a aldosterona depois) ou o teste de supressão com fludrocortisona. Se a aldosterona continuar alta mesmo com essas manobras que deveriam suprimi-la, o diagnóstico se confirma.
Terceira etapa: localizar a origem. Confirmado o hiperaldosteronismo, é hora de descobrir se o problema está em uma glândula (adenoma, que pode ser operado) ou nas duas (hiperplasia, tratada com medicamentos). Tomografia ou ressonância das adrenais ajudam, mas o padrão-ouro é o cateterismo de veias adrenais — um procedimento invasivo que coleta sangue diretamente de cada glândula para medir a produção de aldosterona.
Por que tratar Conn vai além de controlar a pressão
Aqui está o que muita gente não entende: mesmo quando a pressão arterial está “controlada” com remédios, o excesso de aldosterona continua causando danos. Estudos mostram que pacientes com Síndrome de Conn têm risco maior de infarto, AVC, fibrilação atrial e doença renal crônica — mesmo com pressão arterial semelhante a quem tem hipertensão essencial.
Por quê? Porque a aldosterona em excesso promove fibrose (endurecimento) do coração e dos vasos, inflamação vascular e disfunção endotelial. Ela não apenas eleva a pressão — ela remodela seus órgãos de forma prejudicial.
Por isso, identificar e tratar a causa é fundamental. Se você tem um adenoma, a cirurgia pode curar a hipertensão em 30-60% dos casos e melhorar significativamente o controle nos demais. Se é hiperplasia bilateral, medicamentos específicos como espironolactona ou eplerenona bloqueiam a ação da aldosterona e protegem seu coração e rins.
Esse é o tipo de abordagem que diferencia a medicina personalizada: não apenas controlar números, mas entender e tratar o mecanismo por trás deles. Conheça os tratamentos da Clínica Rigatti e veja como investigamos a fundo cada caso.

O que muda quando você descobre a causa
A diferença entre tratar hipertensão essencial e Síndrome de Conn é como a diferença entre apagar um incêndio com água e desligar o que está causando as chamas. No primeiro caso, você controla o sintoma. No segundo, você resolve o problema.
Quando o diagnóstico é feito e o tratamento adequado é iniciado — seja cirúrgico ou medicamentoso —, os benefícios vão muito além dos números no aparelho de pressão. Você reduz drasticamente o risco cardiovascular, protege seus rins, melhora a qualidade do sono (a aldosterona em excesso piora a apneia), e muitas vezes consegue reduzir ou até eliminar outros anti-hipertensivos.
Mais importante: você deixa de conviver com uma bomba-relógio silenciosa. Porque a Síndrome de Conn não tratada não é apenas pressão alta — é um estado de agressão contínua ao seu sistema cardiovascular.
Se você tem hipertensão resistente, potássio baixo sem explicação, ou simplesmente a sensação de que algo não está sendo investigado a fundo, vale questionar. A medicina personalizada começa quando paramos de aceitar diagnósticos genéricos e buscamos entender o que realmente está acontecendo no seu corpo.
Sua pressão alta pode ter uma causa hormonal que ninguém investigou ainda.
Agende sua avaliação e descubra o caminho personalizado para tratar a raiz do problema, não apenas os sintomas.



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