Você acorda cansado, ganha peso sem explicação, nota que seu rosto está mais arredondado e a pressão arterial subiu. Seu médico menciona algo sobre “investigar o cortisol” e solicita um teste de supressão com dexametasona. Mas o que exatamente esse exame revela — e por que ele é tão importante para entender o que está acontecendo com seu corpo?
O teste de supressão com dexametasona (DST) é uma das ferramentas mais precisas para investigar se você está produzindo cortisol em excesso. E aqui está o que poucos te contam: esse hormônio, quando desregulado, não apenas afeta seu peso e energia — ele pode estar silenciosamente comprometendo sua saúde cardiovascular, óssea e metabólica.
O que é o teste de supressão com dexametasona
Pense no DST como um teste de inteligência para suas glândulas suprarrenais. Em condições normais, quando você toma um corticoide sintético (a dexametasona), seu corpo deveria entender o recado e parar de produzir cortisol próprio. É como se você dissesse às suas glândulas: “Relaxem, já temos cortisol suficiente aqui”.
Mas quando há algo errado — seja na hipófise, nas suprarrenais ou em outro lugar —, esse sistema de freio não funciona. Suas glândulas continuam produzindo cortisol em excesso, mesmo quando deveriam estar em repouso. E é exatamente isso que o teste detecta.
O exame é simples: você toma um comprimido de dexametasona à noite (geralmente às 23h) e coleta sangue na manhã seguinte para medir o cortisol. Se os níveis permanecerem elevados, isso sinaliza que seu corpo não está respondendo adequadamente — um forte indício de hipercortisolismo.

Por que investigar a síndrome de Cushing
A síndrome de Cushing é o nome dado ao conjunto de sintomas causados pela exposição prolongada a níveis elevados de cortisol. E aqui está o problema: os sinais iniciais são sutis e facilmente confundidos com outras condições.
Ganho de peso concentrado no tronco e rosto. Estrias roxas na pele. Fraqueza muscular. Dificuldade para cicatrizar. Alterações de humor. Você pode passar anos atribuindo esses sintomas ao estresse, à idade ou à genética — enquanto o verdadeiro culpado permanece invisível nos exames de rotina.
O DST é especialmente valioso porque o cortisol flutua ao longo do dia. Uma dosagem isolada pode não capturar o problema. Mas quando você desafia o sistema com dexametasona e ele não responde adequadamente, a evidência fica clara.
Esse é exatamente o tipo de investigação que realizamos na Clínica Rigatti, cruzando sintomas, exames e histórico para identificar desequilíbrios que passam despercebidos em avaliações convencionais.
Como funciona o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal
Para entender por que o teste funciona, você precisa conhecer o sistema que controla a produção de cortisol. Imagine uma cadeia de comando com três níveis:
No topo está o hipotálamo (no cérebro), que libera CRH quando detecta estresse ou baixos níveis de cortisol. Esse sinal viaja até a hipófise, também no cérebro, que responde liberando ACTH. E o ACTH, por sua vez, estimula as glândulas suprarrenais (localizadas acima dos rins) a produzirem cortisol.
Em um sistema saudável, quando o cortisol sobe, ele envia um sinal de retorno (feedback negativo) para o hipotálamo e a hipófise: “Já temos o suficiente, podem parar”. A dexametasona imita esse sinal. Se o sistema estiver funcionando, a produção de cortisol cai. Se não cair, há um problema em algum ponto dessa cadeia.
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Tipos de teste de supressão e o que cada um revela
Existem diferentes protocolos de DST, cada um com uma finalidade específica. O teste de supressão noturna com dose baixa (1 mg) é o mais comum como triagem inicial. Você toma o comprimido à noite e coleta sangue pela manhã. Se o cortisol estiver abaixo de 1,8 mcg/dL, o teste é considerado normal — seu sistema está respondendo adequadamente.
Quando o resultado é anormal, pode ser necessário um teste de supressão com dose baixa prolongada (0,5 mg de dexametasona a cada 6 horas por 48 horas). Esse protocolo é mais sensível e ajuda a confirmar o diagnóstico.
Já o teste de supressão com dose alta (8 mg) é usado para diferenciar as causas do hipercortisolismo. Se o cortisol cair mais de 50%, isso sugere que o problema está na hipófise (doença de Cushing). Se não cair, a causa provavelmente está nas suprarrenais ou em um tumor produtor de ACTH fora da hipófise.
Curioso como um único exame pode revelar tanto, não é? É por isso que a interpretação precisa ser feita por um médico experiente, que entende as nuances de cada protocolo e como eles se encaixam no seu quadro clínico completo.
Sintomas que justificam a investigação
Nem todo mundo com gordura abdominal persistente ou cansaço tem síndrome de Cushing. Mas existem sinais que merecem atenção especial.
Ganho de peso desproporcional no tronco, com braços e pernas relativamente finos. Rosto arredondado (“lua cheia”) e acúmulo de gordura na região posterior do pescoço (“giba de búfalo”). Estrias largas e roxas, especialmente no abdômen. Pele fina que machuca facilmente e demora para cicatrizar.
Outros sinais incluem fraqueza muscular proximal (dificuldade para levantar de uma cadeira ou subir escadas), hipertensão de difícil controle, diabetes de início recente, osteoporose precoce, alterações menstruais e mudanças de humor — desde irritabilidade até depressão franca.
Se você reconhece vários desses sintomas, especialmente em combinação, vale investigar. O hipercortisolismo não tratado aumenta significativamente o risco de doenças cardiovasculares, fraturas ósseas e infecções.
Interpretação dos resultados e próximos passos
Um resultado normal no DST (cortisol abaixo de 1,8 mcg/dL após a dexametasona) praticamente exclui a síndrome de Cushing. Seu sistema de feedback está funcionando, e os sintomas provavelmente têm outra causa — que também merece investigação.
Resultados anormais exigem confirmação. Falsos positivos podem ocorrer em situações de estresse intenso, depressão grave, alcoolismo, uso de certos medicamentos (como anticoncepcionais ou anticonvulsivantes) ou obesidade significativa.
Por isso, quando o DST sugere hipercortisolismo, geralmente solicitamos exames complementares: cortisol livre urinário de 24 horas, cortisol salivar noturno, dosagem de ACTH e, eventualmente, exames de imagem como ressonância magnética da hipófise ou tomografia das suprarrenais.
O objetivo é não apenas confirmar o diagnóstico, mas identificar a causa exata. Porque o tratamento para um adenoma hipofisário é completamente diferente do tratamento para um tumor adrenal ou para uma síndrome de Cushing ectópica.

O teste de supressão com dexametasona é mais do que um exame — é uma janela para entender como seu corpo está regulando um dos hormônios mais poderosos do organismo. Quando o cortisol está cronicamente elevado, ele não apenas causa sintomas desconfortáveis — ele acelera o envelhecimento, compromete sua imunidade e aumenta riscos cardiovasculares.
Mas aqui está a boa notícia: identificar o problema é o primeiro passo para tratá-lo. E com o diagnóstico correto, é possível restaurar o equilíbrio, reverter muitos dos sintomas e proteger sua saúde a longo prazo. Na Clínica Rigatti, esse processo é conduzido com a precisão técnica que você precisa e a escuta humana que você merece.
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