Você já recebeu um resultado de testosterona “normal” mas continua se sentindo exausto, sem libido e com dificuldade para ganhar massa muscular? Aqui está o problema: a maioria dos médicos olha apenas para a testosterona total — e esse número pode estar escondendo uma deficiência real.
A testosterona que circula no seu sangue não está toda disponível para uso. Na verdade, a maior parte dela está “presa” a proteínas transportadoras. E é justamente a fração livre — aquela que realmente importa — que muitas vezes passa despercebida nos exames de rotina.
Entender essa diferença pode ser a chave para finalmente descobrir por que você não se sente como deveria, mesmo com exames aparentemente normais.
A testosterona não viaja sozinha pelo sangue
Pense na testosterona como passageiros em um ônibus. A testosterona total é o número de todos os passageiros — sentados e em pé. Mas apenas aqueles que estão em pé (livres) podem descer rapidamente e entrar em ação quando necessário.
No seu corpo, cerca de 98% da testosterona está ligada a duas proteínas principais: a SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais) e a albumina. A SHBG é como um cinto de segurança bem apertado — ela prende a testosterona com força, tornando-a biologicamente inativa. Já a albumina é uma ligação frouxa, permitindo que o hormônio se liberte mais facilmente.
Apenas 2 a 3% da testosterona circula completamente livre, sem estar ligada a nenhuma proteína. Essa pequena fração, junto com a testosterona fracamente ligada à albumina, forma o que chamamos de testosterona biodisponível — aquela que realmente pode entrar nas células e exercer seus efeitos.
Por que a SHBG muda tudo
Aqui está onde a história fica interessante: os níveis de SHBG variam enormemente entre pessoas, e diversos fatores podem aumentá-la ou diminuí-la. Quando a SHBG está elevada, ela sequestra mais testosterona, deixando menos hormônio disponível para uso — mesmo que sua testosterona total pareça normal.
Fatores que aumentam a SHBG incluem envelhecimento, hipertireoidismo, uso de certos medicamentos, dietas muito baixas em gordura e até excesso de estrogênio. Por outro lado, resistência à insulina, obesidade, hipotireoidismo e uso de esteroides anabolizantes tendem a reduzir a SHBG.
Dois homens podem ter exatamente a mesma testosterona total — digamos, 500 ng/dL — mas se um deles tem SHBG alta e o outro baixa, o segundo terá muito mais testosterona livre disponível para gerar energia, libido e massa muscular.

Como calcular a testosterona livre sem medir diretamente
Medir a testosterona livre diretamente no laboratório é tecnicamente difícil e caro. A maioria dos laboratórios usa métodos que não são confiáveis. Por isso, médicos experientes preferem calcular a testosterona livre usando fórmulas matemáticas validadas.
A fórmula de Vermeulen é considerada o padrão-ouro. Ela usa três valores do seu exame de sangue — testosterona total, SHBG e albumina — para calcular com precisão a testosterona livre e biodisponível. Existem calculadoras online gratuitas que fazem esse cálculo instantaneamente.
Outra ferramenta útil é o FAI (Índice de Andrógenos Livres), que é simplesmente a razão entre testosterona total e SHBG, multiplicada por 100. É uma estimativa mais simples, embora menos precisa que Vermeulen. Um FAI abaixo de 50 em homens geralmente indica baixa testosterona biodisponível.
Esse tipo de investigação detalhada é exatamente o que fazemos na Clínica Rigatti, onde não nos contentamos com exames superficiais — buscamos entender o quadro hormonal completo.
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Quando a testosterona total engana
Imagine um homem de 45 anos que chega ao consultório queixando-se de fadiga crônica, baixa libido e dificuldade para manter massa muscular. Seu médico pede testosterona total, que volta em 450 ng/dL — tecnicamente dentro da “faixa normal” de 300-1000 ng/dL.
O médico diz que está tudo bem. Mas o paciente continua se sentindo péssimo.
Quando investigamos mais a fundo e medimos a SHBG, descobrimos que ela está em 65 nmol/L (o ideal seria entre 20-40). Usando a fórmula de Vermeulen, calculamos que sua testosterona livre está em apenas 6 ng/dL — bem abaixo do ideal de 10-20 ng/dL para sua idade.
Esse é um exemplo clássico de como a deficiência hormonal pode passar despercebida quando olhamos apenas números isolados. O contexto clínico — sintomas, histórico, outros marcadores — é fundamental.

O que fazer quando a testosterona livre está baixa
Descobrir que sua testosterona livre está baixa não significa necessariamente que você precisa de reposição hormonal imediatamente. Primeiro, é essencial investigar o que está causando o problema.
Se a SHBG está elevada, precisamos entender por quê. Está relacionada à tireoide? Ao excesso de estrogênio? À dieta muito restritiva em gorduras? Corrigir a causa raiz pode normalizar a SHBG e, consequentemente, aumentar a testosterona livre sem necessidade de intervenção hormonal.
Por outro lado, se a SHBG está normal mas a testosterona total está genuinamente baixa, precisamos investigar o eixo HPG — a comunicação entre cérebro e testículos — para determinar se o problema é primário (nos testículos) ou secundário (no cérebro).
Em alguns casos, otimizar o estilo de vida pode fazer diferença significativa: sono adequado, treino de força, redução do estresse crônico, correção de deficiências nutricionais (especialmente vitamina D e zinco) e manutenção de peso saudável.
Quando essas medidas não são suficientes e os sintomas persistem com testosterona livre comprovadamente baixa, a terapia de reposição de testosterona (TRT) pode ser considerada — sempre sob supervisão médica rigorosa e com monitoramento contínuo.

A diferença entre testosterona total e livre não é apenas uma curiosidade técnica — é a diferença entre um diagnóstico correto e anos de sofrimento desnecessário. Quando você entende que o número no papel não conta toda a história, abre-se a possibilidade de investigar mais profundamente e encontrar respostas reais.
Na medicina personalizada, não existem valores “normais” universais. Existem valores ideais para você, considerando sua idade, sintomas, objetivos e contexto metabólico completo. A testosterona livre é apenas uma peça desse quebra-cabeça — mas uma peça crucial que não pode ser ignorada.
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