Você fez seus exames de rotina, a vitamina D está dentro da faixa considerada normal, mas o PTH — paratormônio — apareceu elevado. E agora vem aquela sensação incômoda: “Se minha vitamina D está ok, por que o PTH está alto?” Aqui está o que poucos te contam: o PTH elevado com vitamina D aparentemente normal é um sinal de alerta que vai muito além dos números isolados no papel.
Esse padrão bioquímico revela que algo está forçando suas paratireoides a trabalharem em overdrive — e entender o porquê pode ser a chave para resolver sintomas que você talvez nem associe a esse desequilíbrio.
O que é o PTH e por que ele importa tanto
O paratormônio é o maestro do metabolismo do cálcio no seu corpo. Produzido por quatro pequenas glândulas localizadas atrás da tireoide, ele tem uma missão crítica: manter os níveis de cálcio no sangue dentro de uma faixa estreita e precisa.
Pense no PTH como um gerente de estoque extremamente zeloso. Quando o cálcio sanguíneo cai — mesmo que sutilmente — ele age imediatamente em três frentes: retira cálcio dos ossos (seu grande reservatório), aumenta a absorção intestinal e reduz a perda pelos rins. Tudo isso para garantir que funções vitais como batimentos cardíacos, contração muscular e transmissão nervosa não sejam comprometidas.
Mas quando o PTH permanece cronicamente elevado, esse sistema de emergência se torna um problema. Seus ossos começam a pagar o preço, liberando cálcio constantemente. E aqui mora o perigo: você pode ter fadiga persistente, dores ósseas e até alterações cognitivas sem entender a origem.
Por que o PTH sobe mesmo com vitamina D “normal”
A primeira reação ao ver PTH alto com vitamina D normal é pensar: “Então não é deficiência de vitamina D, está tudo certo”. Mas a realidade é mais complexa — e mais interessante.
Existem várias razões pelas quais suas paratireoides podem estar hiperativas mesmo quando a vitamina D parece adequada:
Deficiência de cálcio dietético. Muitas pessoas focam tanto na vitamina D que esquecem do protagonista: o cálcio. Se sua ingestão de cálcio está baixa — seja por restrição alimentar, intolerância a laticínios ou dieta pobre em fontes alternativas — o PTH sobe para compensar. É como ter combustível (vitamina D) mas falta matéria-prima (cálcio).
Deficiência de magnésio. Aqui está um vilão silencioso: o magnésio é essencial para que a vitamina D seja ativada e para que o PTH seja secretado adequadamente. Quando o magnésio está baixo, você pode ter vitamina D “suficiente” no papel, mas ela não funciona direito. Resultado? PTH elevado tentando compensar uma vitamina D que está presente mas ineficaz.

Resistência à vitamina D. Assim como existe resistência à insulina, pode haver resistência à vitamina D. Seus receptores celulares não respondem adequadamente, mesmo com níveis sanguíneos normais. Estudos mostram que polimorfismos genéticos no receptor de vitamina D (VDR) podem reduzir a sensibilidade em até 40%.
Problemas renais subclínicos. Os rins são fundamentais nesse sistema: eles ativam a vitamina D e excretam fósforo. Quando a função renal está comprometida — mesmo que sutilmente, sem aparecer nos exames convencionais — o PTH pode subir como resposta compensatória. A retenção de fósforo, em particular, estimula diretamente as paratireoides.
Esse é exatamente o tipo de investigação que fazemos na Clínica Rigatti: olhar além dos valores isolados e entender o contexto metabólico completo de cada pessoa.
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Hiperparatireoidismo primário: quando a glândula é o problema
Existe também a possibilidade de que o problema esteja nas próprias paratireoides — o chamado hiperparatireoidismo primário. Nesse caso, uma ou mais glândulas desenvolvem um adenoma (tumor benigno) ou hiperplasia e começam a produzir PTH em excesso, independentemente dos níveis de cálcio ou vitamina D.
Aqui o padrão bioquímico é característico: PTH alto com cálcio sérico também elevado ou no limite superior. É diferente do hiperparatireoidismo secundário (causado por deficiências), onde o cálcio tende a estar normal ou baixo.
Curioso como diferenciar, não é? A investigação adequada inclui dosagem de cálcio total e ionizado, fósforo, função renal completa e, em casos selecionados, exames de imagem das paratireoides.
Os sintomas que você talvez não associe ao PTH alto
O PTH elevado raramente vem sozinho. Ele traz consigo uma constelação de sintomas que muitas vezes são tratados isoladamente, sem que ninguém conecte os pontos:
Fadiga profunda que não melhora com descanso. Dores ósseas difusas, especialmente na coluna e membros. Fraqueza muscular e câimbras frequentes. Pedras nos rins de repetição. Alterações de humor, irritabilidade e dificuldade de concentração. Osteopenia ou osteoporose em idade precoce.
Esses sintomas acontecem porque o PTH cronicamente elevado afeta múltiplos sistemas. A desmineralização óssea constante enfraquece o esqueleto. O excesso de cálcio circulante pode se depositar em tecidos moles, incluindo rins. E o desequilíbrio mineral afeta diretamente a função neuromuscular.

Vale lembrar que a vitamina D “suficiente” nem sempre é ideal para todas as pessoas — e isso pode estar contribuindo para manter o PTH elevado mesmo quando os níveis parecem aceitáveis.
A investigação que realmente importa
Descobrir a causa do PTH elevado exige uma abordagem sistemática. Não basta repetir o exame e esperar que ele se normalize sozinho.
Primeiro, avalie a ingestão de cálcio. Um diário alimentar de três dias pode revelar que você está consumindo muito menos do que os 1.000-1.200mg diários recomendados. Fontes como laticínios, vegetais verde-escuros, sardinha e tofu são fundamentais.
Segundo, dose o magnésio sérico — e considere que os níveis intracelulares (mais precisos) podem estar baixos mesmo com magnésio sanguíneo normal. A deficiência de magnésio é epidêmica e frequentemente negligenciada.
Terceiro, avalie a função renal além da creatinina. A taxa de filtração glomerular estimada e a dosagem de fósforo podem revelar disfunções sutis que explicam o PTH elevado.
Quarto, considere a possibilidade de resistência à vitamina D. Nesse caso, pode ser necessário elevar os níveis de vitamina D para faixas mais altas (60-80 ng/mL) para obter resposta adequada.
E por fim, se o cálcio sérico estiver elevado junto com o PTH, a investigação para hiperparatireoidismo primário é mandatória — incluindo ultrassom ou cintilografia das paratireoides.
A saúde óssea depende diretamente desse equilíbrio — e negligenciar o PTH elevado pode ter consequências a longo prazo.
Como corrigir o desequilíbrio
A correção depende da causa identificada. Se o problema é deficiência de cálcio, a suplementação estratégica — preferencialmente citrato de cálcio, melhor absorvido — pode normalizar o PTH em semanas. Doses típicas variam de 500 a 1.000mg diários, divididas em duas tomadas.
Se o magnésio está baixo, a reposição é essencial. Formas como glicinato ou treonato de magnésio têm melhor absorção e menos efeitos gastrointestinais. Doses de 300-400mg diários costumam ser eficazes.
Quando há resistência à vitamina D, pode ser necessário elevar os níveis para 60-80 ng/mL — sempre com acompanhamento médico para evitar toxicidade. A suplementação de vitamina K2 é importante nesse contexto, pois direciona o cálcio para os ossos e não para as artérias.
Nos casos de hiperparatireoidismo primário, a abordagem pode incluir desde monitoramento cuidadoso até cirurgia para remoção da glândula afetada, dependendo da gravidade e dos sintomas.

O que seu PTH está tentando te dizer
O PTH elevado com vitamina D normal não é um paradoxo — é um convite para investigar mais fundo. Ele revela que seu corpo está lutando para manter o equilíbrio mineral, e essa luta tem consequências reais: ossos mais frágeis, músculos mais fracos, energia comprometida.
A boa notícia é que, uma vez identificada a causa, a correção costuma ser direta e os sintomas melhoram progressivamente. Não se trata apenas de normalizar um número no exame — trata-se de restaurar um sistema metabólico fundamental que afeta sua qualidade de vida diariamente.
Na medicina personalizada, olhamos para o corpo como um sistema integrado. O PTH não existe isolado — ele conversa com a vitamina D, o cálcio, o magnésio, os rins, os ossos. E quando você entende essa conversa, consegue intervir no ponto certo.
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